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Alcolumbre resiste a definir calendário da PEC 6x1 sob pressão do governo, diz mídia

Presidente do Senado evita fixar data para tramitação da proposta, enquanto governo Lula cobra celeridade e aliados apontam disputas políticas às vésperas da eleição.

10/06/2026
Alcolumbre resiste a definir calendário da PEC 6x1 sob pressão do governo, diz mídia
Davi Alcolumbre resiste a definir calendário da PEC 6x1 no Senado sob pressão do governo. - Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil / Acessar o banco de imagens

Lideranças do Senado e do governo discutem a PEC que reduz a jornada de trabalho e proíbe a escala 6x1, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), resiste a definir um calendário para a tramitação. Segundo a mídia, o senador reclama de pressões públicas nas redes sociais, em meio a alertas econômicos e disputas políticas que travam o avanço da proposta às vésperas da eleição.

Alcolumbre reuniu-se com o líder do governo, José Guimarães, responsável pela articulação política do Planalto no Congresso, mas evitou assumir compromisso sobre o cronograma da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal para 40 horas e proíbe a escala 6x1. A matéria, aprovada pela Câmara em maio, depende agora de despacho do presidente do Senado para iniciar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Nos bastidores, segundo um jornal de grande circulação nacional, Alcolumbre tem reclamado da pressão nas redes sociais para acelerar a análise da PEC. O senador atribui os ataques a uma articulação do governo e de partidos de esquerda.

Embora tenha anunciado que discutiria o tema com líderes partidários nesta semana, o presidente do Senado sinalizou a aliados que recuou da ideia. Ele também teria cancelado uma reunião com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD), que trataria da escolha do relator da proposta.

Ainda assim, Alcolumbre afirmou a senadores que pretende resolver pendências nesta quarta-feira (10). Entre aliados, a avaliação é que o ritmo da tramitação dependerá da CCJ, que pode acelerar o debate para permitir votação em julho, antes do início oficial da campanha eleitoral.

O governo trabalha para aprovar a PEC o quanto antes. A redução da jornada para 42 horas e a garantia de dois dias de folga remunerada passam a valer 60 dias após a promulgação. O objetivo do Planalto é que as medidas entrem em vigor antes da eleição, reforçando a agenda social do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na tribuna, Alcolumbre criticou a pressão para votar projetos de grande impacto às vésperas do pleito. Ele citou propostas de criação de pisos salariais para categorias como médicos e enfermeiros, afirmou ser acusado injustamente de travar pautas e alertou para o risco fiscal de aprovar medidas populares em ano eleitoral.

A declaração ocorreu após encontro com Guimarães e ministros da área econômica, que alertaram para o impacto de novos pisos salariais e da PEC que vincula gastos sociais a receitas da União.

Segundo a mídia, o governo também pediu que o senador destravasse a PEC da Segurança Pública e colocasse em votação o marco legal dos minerais críticos, ambos parados no Senado.

Ainda conforme a apuração, Guimarães classificou a reunião como positiva, embora Alcolumbre não tenha definido calendário nem relator para a PEC 6x1. Não há previsão de encontro com Lula para tentar recompor a relação, desgastada desde a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), atribuída à articulação do senador.

Enquanto o governo pressiona pela votação, a oposição tenta impedir o avanço da PEC 6x1 e defende uma proposta alternativa apresentada por Alcolumbre. O texto autoriza o pagamento por hora trabalhada e tem apoio de entidades empresariais e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal opositor de Lula na disputa pela Presidência.

Por Sputnik Brasil