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Corte na Defesa expõe contradição no combate às facções, diz analista
Contingenciamento de R$ 4,3 bilhões no Ministério da Defesa reacende debate sobre vigilância de fronteiras, soberania e segurança nacional.
O contingenciamento de gastos anunciado em maio pelo Palácio do Planalto tem provocado críticas no setor de Defesa. O Ministério da Defesa foi o mais afetado pela medida, com R$ 4,3 bilhões paralisados. Militares já afirmaram que operações de vigilância nas fronteiras precisaram ser interrompidas.
À Sputnik Brasil, Tássio Franchi, pesquisador do Instituto Meira Mattos (IMM), afirmou que contingenciamentos orçamentários são procedimentos comuns e fazem parte do processo de governança do país. Ele minimizou, porém, a avaliação de que os cortes possam deixar as divisas brasileiras desguarnecidas.
Franchi explicou que a proteção das fronteiras não é responsabilidade exclusiva das Forças Armadas, mas envolve diferentes órgãos federais e estaduais, cada um com atribuições específicas.
Apesar das informações divulgadas por militares na imprensa, o professor Sandro Teixeira avalia que os cortes atingem a Defesa brasileira de forma ampla, e não apenas o monitoramento das fronteiras.
“Sem acordos, tecnologia e pessoal capacitado, ficamos à mercê de um flanco aberto perigoso, no qual grandes potências podem aproveitar e fazer seus próprios acordos com países fronteiriços com o Brasil, o que nos deixa vulneráveis”, afirmou.
Para o professor João Gabriel Burmann, o momento do bloqueio no orçamento expõe uma fragilidade do Brasil justamente quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca demonstrar a Washington que o país está fazendo sua parte no enfrentamento às facções ligadas ao narcotráfico.
“Se o corte está sendo ali [na Defesa], talvez [o tema] não seja tão prioritário, o que é bem ruim, porque a gente acabou colocando a questão da defesa, da soberania, dentro da disputa eleitoreira partidária. Isso realmente é ruim e pode causar ruído”, avaliou Burmann.
Por Sputnik Brasil
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