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Operação prende investigador suspeito de atuar em plano do PCC para matar promotor

Gaeco cumpre mandados em Campinas e Cardoso; ação também mira ex-estagiário do MP-SP investigado por extorsão

09/06/2026
Operação prende investigador suspeito de atuar em plano do PCC para matar promotor
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), prendeu nesta terça-feira (9) um policial civil suspeito de auxiliar, quando atuava como investigador-chefe de uma delegacia de entorpecentes, em um plano frustrado atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar um promotor de Justiça com atuação em Campinas (SP).

A Operação Infiltrados cumpre três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão em Campinas e no município de Cardoso. Todos os alvos foram presos, incluindo um ex-estagiário do MP-SP. As defesas dos investigados não foram localizadas.

A ação é um desdobramento direto de operações anteriores, como a Pronta Resposta, que resultou na prisão de dois empresários em agosto do ano passado. Eles são suspeitos de coordenar um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas.

À época da prisão da dupla, as investigações apontaram que a ordem para a execução teria partido de Sergio Luiz de Freitas, conhecido como Mijão, da Sintonia Final da Rua do PCC. Há cerca de duas décadas vivendo na Bolívia, ele é considerado um dos maiores operadores do tráfico no Brasil. A defesa de Freitas não foi localizada.

Principal alvo da operação desta terça-feira, Maurício Aparecido de Oliveira foi chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas até fevereiro deste ano, quando foi transferido para o 1º Distrito Policial da cidade.

Segundo as investigações, Oliveira se reuniu com um dos dois empresários presos no ano passado poucos dias antes de eles se tornarem alvos do Gaeco. Parte da conversa foi filmada, em gravação obtida pelo Estadão.

Uma das hipóteses apuradas é que o encontro teria como objetivo obter informações “privilegiadas e sensíveis”, possivelmente relacionadas à rotina do promotor de Justiça. A defesa de Oliveira ainda não foi localizada.

Coordenada pelo Gaeco, a operação conta com apoio do 1º BAEP (Batalhão de Ações Especiais) de Campinas, da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal. “As instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros”, informou o Gaeco.

De acordo com o braço de combate ao crime organizado do MP, a operação busca enfrentar “novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio Ministério Público”.

Operação também mira ex-estagiário do MP-SP suspeito de extorquir traficante

Em outra frente, também decorrente de operações anteriores, como a Pronta Resposta e a Off White, o Gaeco identificou que um traficante ligado ao PCC, com atuação em Campinas, estaria sendo vítima de extorsão praticada por um agente que teria se valido de informações privilegiadas. A quantia exigida seria de R$ 500 mil.

Segundo a promotoria, a investigação indica que, meses antes, o ex-estagiário teria se infiltrado em uma das promotorias de Justiça Criminais de Campinas com finalidade criminosa. Ele deixou o Ministério Público em dezembro de 2025. Procurado, o órgão ainda não comentou.

“Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e, então, direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção”, afirmou o Gaeco.

Entre os outros agentes públicos investigados, segundo o Gaeco, estão um policial penal e um ex-policial civil, expulso da corporação anos atrás pela prática do crime de extorsão mediante sequestro. As investigações prosseguem para identificar novos detalhes do esquema e verificar se houve transferências de valores pelos alvos da extorsão.