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Dirigente do Fed afirma que possibilidade de alta de juros nos EUA 'é maior do que zero'

Alberto Musalem, do Fed de St. Louis, sinaliza cautela diante de inflação persistente e tensões geopolíticas.

28/05/2026
Dirigente do Fed afirma que possibilidade de alta de juros nos EUA 'é maior do que zero'
Alberto Musalem

O presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, Alberto Musalem, declarou nesta quinta-feira, 28, que a chance de o banco central dos Estados Unidos aumentar novamente os juros "é maior do que zero". O comentário reflete um cenário de inflação persistente e uma economia americana que segue resiliente.

As declarações de Musalem foram dadas em um momento de atenção global, enquanto o mercado monitora as consequências das perdas no Oriente Médio e as negociações diplomáticas entre EUA e Irã.

Em entrevista à Bloomberg TV, o dirigente ressaltou que a atual via de flexibilização monetária “não é mais consistente com os riscos” enfrentados, evidenciando uma postura mais cautelosa do Fed. Segundo ele, a política monetária dos EUA está "em ou abaixo" da taxa neutra de longo prazo.

Musalem enfatizou ainda que a inflação permanece acima da meta do Fed há um período específico, o que reforça a necessidade de vigilância constante. Ele observou que os mercados de renda fixa têm precificado uma economia resistente e expectativas mais elevadas para taxas neutras de juros. De acordo com suas estimativas, cerca de três quartos do aumento recente nos rendimentos dos Tesouros refletem a elevação da taxa neutra esperada, enquanto o restante deve ao aumento do prêmio de prazo.

As falas do dirigente ocorreram em um ambiente de maior aversão ao risco, marcado por incertezas geopolíticas relacionadas ao Irã e aos Estados Unidos. O mercado também acompanhou informações de que os dois países chegaram a um acordo preliminar para um memorando de entendimento de 60 dias, segundo a Axios, embora o então presidente Donald Trump ainda não tenha dado a aprovação final ao texto.

Musalem acrescentou que uma redução da demanda dos bancos por reservas seria um caminho “mais suave” para ampliar o balanço do Fed em comparação à redução direta da oferta de liquidez. Ele destacou ainda que um balanço robusto do banco central pode trazer benefícios para a estabilidade financeira.