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Ibovespa recua 0,48% e fecha aos 175,7 mil pontos, pressionado por petróleo e IPCA-15

Índice acumula queda na semana e sente impacto de tensões geopolíticas e inflação acima do esperado

27/05/2026
Ibovespa recua 0,48% e fecha aos 175,7 mil pontos, pressionado por petróleo e IPCA-15
- Foto: Reprodução

O Ibovespa registrou a segunda sessão consecutiva de queda nesta quarta-feira, recuando 0,48% e encerrando aos 175.744,37 pontos. O desempenho refletiu tanto fatores domésticos, como a inflação e seus efeitos sobre os juros, quanto questões globais, diante da ausência de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Na semana, após um início promissor com alta de 0,91% na segunda-feira, o índice da B3 acumulou retração de 0,26%, elevando a perda no mês para 6,18%. No ano, o Ibovespa ainda acumula alta de 9,07%. O volume financeiro negociado nesta quarta-feira foi de R$ 22,7 bilhões.

O movimento foi influenciado pela queda nas ações da Petrobras (ON -1,62%, PN -1,43%), avanço moderado da Vale (ON +0,46%) e ganhos discretos no setor financeiro — o de maior peso no Ibovespa — com destaque para Bradesco PN (+0,90%) e Itaú PN (+0,65%). Em contrapartida, Banco do Brasil ON virou para queda no fim do pregão, recuando 0,19% na mínima do dia. Entre as maiores altas do índice, destacaram-se Usiminas (+5,90%), RD Saúde (+2,72%) e CSN Mineração (+2,66%). Na ponta oposta, Cosan (-6,31%), Copasa (-4,71%) e Natura (-4,13%) lideraram as baixas.

"O Ibovespa teve perdas diante das indicações de novo retrocesso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, após os iranianos terem sinalizado um esboço de acordo. Ainda há muitas dúvidas sobre o destino do urânio enriquecido pelo Irã, ponto crucial das discussões", analisa Felipe Cima, da Manchester Investimentos.

Apesar das expectativas em torno do esboço de acordo, o petróleo fechou em baixa nesta quarta-feira. Em Nova York, o WTI para julho caiu 5,55% (US$ 5,21), a US$ 88,68 o barril, atingindo o menor nível desde 21 de abril. Em Londres, o Brent para agosto recuou 4,57% (US$ 4,42), a US$ 92,25 o barril, após tocar a mínima desde 17 de abril.

Nos Estados Unidos, os principais índices de ações tiveram variações discretas: Dow Jones +0,36%, S&P 500 +0,02% e Nasdaq +0,07%. No Brasil, o dólar à vista subiu 0,67%, negociado a R$ 5,0609.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o Irã não receberá alívio das sanções em troca de desistir do urânio altamente enriquecido. "Não, não, de jeito nenhum. Sem alívio das sanções", declarou à PBS News. "Eles vão desistir de seu urânio altamente enriquecido, não por alívio das sanções. De jeito nenhum."

No cenário doméstico, o IPCA-15 de maio mostrou desaceleração em relação a abril, mas veio acima das expectativas do mercado, mantendo a inflação acumulada em 12 meses acima do teto da meta do Banco Central, em 4,6%. "Alimentação e Bebidas contribuiu, sozinho, com quase metade da inflação do mês", destaca Patricia Krause, economista-chefe para América Latina da Coface. Apesar disso, a expectativa é de que o BC mantenha o corte da Selic em 0,25 ponto percentual em junho.