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Convenção nacional do Sistema COFECI-CRECI abre com debates sobre digitalização das transações imobiliárias e inteligência artificial
Encontro reúne representantes dos 27 estados em Foz do Iguaçu/PR e abre a programação com debate sobre digitalização das transações, inteligência artificial e uso de dados como base para a nova etapa da corretagem imobiliária no país.
A abertura do CONVENSI, VI Convenção Nacional do Sistema COFECI-CRECI, foi realizada na manhã desta terça-feira, em Foz do Iguaçu (PR), com a presença de representantes dos 27 estados brasileiros. O encontro reúne presidentes dos Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (CRECIs), conselheiros, lideranças institucionais e profissionais do setor para discutir os novos desafios do mercado imobiliário brasileiro.
A programação começou com a apresentação dos presidentes dos CRECIs de todo o país e, na sequência, com o pronunciamento do presidente do Sistema COFECI-CRECI, João Teodoro da Silva.
“O Sistema COFECI-CEECI foi criado para fiscalizar o exercício do corretor de imóveis. Mas a nossa responsabilidade vai além. Os conselhos tanto o Federal quanto os Regionais também representam os interesses da categoria que contribuem para o desenvolvimento do país. “ destacou o presidente do Sistema COFECI- CRECI, João Teodoro,na abertura do evento que reuniu mais de mil participantes na plenária.
“A profissão do corretor de imóveis tem o privilégio de realizar os maiores sonhos da vida das pessoas, a de comprar a casa própria. Por isso a responsabilidade é enorme e de grande valor para a sociedade. Esta é a sexta edição da convenção que trará palestras e oficinas para a evolução contínua do mercado imobiliário”, complementou o dirigente do Sistema que concentra mais de 700 mil corretores de imóveis e cerca de 74 mil imobiliárias do país, o segundo maior do mundo atrás apenas dos EUA.
Tecnologia e inovação
A primeira palestra da convenção foi conduzida por Andreas Blazoudakis, CVO da Netspaces, que abordou dois temas centrais para o futuro da corretagem: a digitalização das transações imobiliárias e o impacto da inteligência artificial no setor.
Durante a palestra, Blazoudakis, que entre suas iniciativas, contribuiu para fundar o iFood, afirmou que o mercado imobiliário ainda vive um estágio inicial de digitalização, apesar do avanço recente da regulamentação no ambiente digital para os corretores de imóveis. Segundo ele, a Resolução 1.551, publicada pelo COFECI em agosto de 2025, representa um marco para inserir os profissionais brasileiros em um mercado digital que cresce em escala global.
“O primeiro empreendedor unipessoal de US$ 1 bilhão do Brasil vai ser um corretor de imóveis”, previu o executivo ao defender que a tecnologia deve reduzir o atrito das negociações imobiliárias e aproximar profissionais, consumidores e plataformas digitais.
“Qual a diferença entre uma empresa que vende comida ( iFood) e por que ela vale 50 vezes mais do que a líder global em mediação imobiliária, a ReMax, que foi vendida recentemente por 880 milhões de dólares? Quando empresas passam a trabalhar em rede de forma digitalizada, ou seja, quando elas se conectam por meio da tecnologia, isso traz um poder absoluto a marcas. Exemplo do iFood, do Booking e do Mercado Livre. A demanda vai para onde a rede está”, destacou.
Segundo ele, negócios como plataformas de delivery, reservas e marketplaces crescem ao conectar mercados fragmentados e reduzir barreiras operacionais. Para Blazoudakis, o potencial do mercado imobiliário é ainda maior, já que o ticket médio das transações do setor supera o de outros segmentos digitais.
O executivo também destacou que a nova etapa do mercado imobiliário será fortemente orientada por dados, inteligência artificial e integração digital. Para ele, plataformas imobiliárias tendem a operar com mais previsibilidade, automação e capacidade de cruzamento de informações, aproximando o setor de modelos já consolidados em outras áreas da economia digital.
A discussão sobre o uso estratégico de dados também se conecta ao avanço do Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB), iniciativa do Sistema COFECI-CRECI voltada à reunir pesquisas e estudos de fontes oficiais, organização de indicadores, inteligência de mercado e informações sobre o setor imobiliário nacional.
Segundo Celso Pereira Raimundo, diretor-geral do Observatório Imobiliário Brasileiro, a transformação digital da corretagem passa pela capacidade do mercado de trabalhar unido e com dados estruturados e inteligência analítica. “A inteligência artificial precisa de informação organizada para gerar valor real ao mercado. O Observatório Imobiliário Brasileiro nasce justamente para transformar dados dispersos em inteligência estratégica para corretores, investidores, gestores e para o próprio mercado imobiliário brasileiro”, afirmou.
A convenção segue com painéis voltados à inovação, tecnologia, qualificação profissional e novas tendências da corretagem imobiliária no país.
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