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Fundo criado por Trump para reconstrução de Gaza segue sem recursos após quatro meses

Iniciativa do Conselho de Paz, apoiada pelo Banco Mundial, não recebeu doações e enfrenta incertezas políticas e jurídicas

27/05/2026
Fundo criado por Trump para reconstrução de Gaza segue sem recursos após quatro meses
Fundo internacional para reconstrução de Gaza, criado por Trump, segue sem recursos após quatro meses. - Foto: © AP Photo / Mark Schiefelbein

O fundo vinculado ao Conselho de Paz, criado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, para a reconstrução de Gaza, permanece sem recursos quatro meses após sua criação, segundo reportagem da mídia britânica. Os valores, que deveriam ser destinados à reconstrução, foram transferidos diretamente para uma conta da organização no JPMorgan Chase, banco que não está sujeito a exigências independentes de transparência.

Desde a criação do Conselho de Paz, com apoio do Banco Mundial, nenhum doador realizou contribuições ao fundo, de acordo com fontes citadas por um jornal especializado em finanças.

"Zero dólares foram depositados", afirmou uma das fontes consultadas pela reportagem.

O fundo do Conselho de Paz permanece vazio, enquanto a própria organização enfrenta incertezas jurídicas e políticas que travam a implementação de projetos em Gaza.

Diferente do sistema de gestão do Banco Mundial, que conta com apoio da ONU e exige relatórios detalhados para doadores e membros do Conselho, os recursos foram depositados na conta do JPMorgan Chase, que não possui tais requisitos de transparência independente.

Um porta-voz do Conselho da Paz afirmou ao jornal que "diversas opções de financiamento" foram avaliadas, incluindo o mecanismo do Banco Mundial, mas que "até o momento, os participantes optaram por outras vias".

Segundo as fontes, os relatórios financeiros serão apresentados ao conselho executivo — composto por funcionários do governo Trump e consultores — "no momento oportuno".

O Marrocos contribuiu com cerca de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 100,9 milhões), valor utilizado para financiar o escritório do alto representante para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, além dos salários do comitê técnico palestino responsável pela gestão do setor. Já os Emirados Árabes Unidos destinaram US$ 100 milhões (cerca de R$ 504,7 milhões) para treinamento policial em Gaza, porém o programa não foi iniciado e os recursos permanecem congelados.

O Departamento de Estado dos EUA planeja realocar cerca de US$ 1,2 bilhão (mais de R$ 6,05 bilhões) em fundos de ajuda para projetos alinhados à agenda do Conselho de Paz, mas esses valores não serão repassados diretamente ao conselho e ainda não foram liberados.

O Conselho da Paz foi anunciado por Donald Trump em janeiro, com o próprio ex-presidente dos EUA como presidente da organização. Entre os membros, estão o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Stephen Witkoff, o investidor Jared Kushner, o vice-conselheiro de Segurança Nacional Robert Gabriel Jr., o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

Em 22 de janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, foi aprovada a carta constitutiva do Conselho da Paz, assinada por países como Armênia, Argentina, Azerbaijão, Bulgária, Hungria, Indonésia, Jordânia, Cazaquistão, Kosovo, Paquistão, Paraguai, Catar, Arábia Saudita, Estados Unidos, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Mongólia. A expectativa era de que outros países aderissem à organização, que não se limitaria a Gaza, mas atuaria em outras regiões.

Em fevereiro, Trump declarou que alguns membros do Conselho de Paz iriam contribuir com um total de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 35,3 bilhões) em ajuda para Gaza.

Fonte: Sputnik Brasil