Geral
Em meio à discussões atuais, escolas mobilizam participação estudantil e incentivam ações pedagógicas voltadas para questões climáticas e ambientais
Comissão da Câmara dos Deputados aprova projeto que introduz educação climática, sustentável e ambiental nas escolas e acende debate sobre projetos de impacto dentro da grade curricular
Com o avanço das mudanças climáticas e de suas consequências, tem-se tornado cada vez mais importante a promoção de discussões de impacto entre os mais diversos setores da sociedade, inclusive no contexto educacional. Para consolidar essa pauta dentro das escolas, neste mês de maio, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou a criação de diretrizes nacionais obrigatórias para a inclusão da educação climática, ambiental e sustentável na grade curricular básica de todo o país.
A proposta defende que essas pautas devem ser desenvolvidas e trabalhadas dentro dos conteúdos das disciplinas tradicionais e incluídas nos planos pedagógicos escolares. Nesse contexto, alinhadas com temas vigentes no debate público, escolas de todo o Marista Brasil já contam com atividades acadêmicas e participativas para mobilizar a comunidade estudantil em relação às questões ambientais e climáticas.
No ano passado, aconteceu o Observatório Marista de Clima, projeto que reuniu ações pedagógicas, pesquisas e iniciativas locais de sustentabilidade em colégios de toda a rede educacional. Ao longo dessa atividade, surgiram iniciativas de impacto dentro das escolas, com aplicações regionais voltadas para a conscientização e transformação ambiental.
Uma delas, desenvolvida ao longo do projeto, foi o Quiosque Ambiental, criado por alunos do Colégio Marista Pio X, de João Pessoa (PB). A partir de desafios enfrentados na região da Praia da Penha, os estudantes apostaram na criação de um quiosque na própria praia, com áreas para coleta seletiva, oficinas de reciclagem e atividades de conscientização sobre o descarte correto de resíduos.
Ao lado de movimentações de todo o país, a solução paraibana foi apresentada na Conferência Nacional do Observatório Marista do Clima, O evento foi sediado no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, localizado em Belém (PA), em paralelo à COP 30. Ao longo de cinco dias, o encontro reuniu cerca de 300 participantes, entre estudantes e educadores de todos os colégios maristas do Brasil, para debaterem questões sustentáveis e apresentarem soluções desenvolvidas pela comunidade estudantil.
Além dos estudos das mudanças climáticas, o projeto discutido pela Comissão de Educação também reitera a introdução de atividades práticas nos planejamentos pedagógicos das escolas, que envolvem programas de aprendizagem em espaços naturais e ao ar livre, criação de hortas, compostagem, reaproveitamento de resíduos e reciclagem, para incentivar a participação ativa em questões voltadas à sustentabilidade.
Focado em transformar hábitos de consumo e de descarte em toda a comunidade escolar, o Colégio Marista Arquidiocesano, localizado na capital de São Paulo, traz na prática um projeto relacionado a essa demanda. Desenvolvido na unidade, o SustentArqui busca reduzir em até 90% o volume de resíduos enviado ao aterro sanitário, o equivalente a desviar mais de 150 toneladas por ano, por meio de práticas pedagógicas e ações sustentáveis junto à comunidade escolar.
“Projetos como o SustentArqui mostram que a educação climática precisa ultrapassar os limites da teoria e ser vivida na prática, no cotidiano escolar. Quando os estudantes participam de ações concretas, como compostagem, reciclagem, redução de resíduos, consumo consciente e cuidado com os espaços coletivos, eles deixam de ser apenas espectadores dos problemas ambientais e passam a atuar como protagonistas das soluções”, diz Douglas Rene, educador e coordenador do SustentArqui.
Como resultado logístico, o colégio reduziu o envio de resíduos ao aterro de quatro para três caçambas por dia. Para 2026, estão previstas novas edições do Maio da Compostagem, oficinas para famílias, ampliação das práticas em sala de aula e a Blitz Lixo Zero.
“Em um cenário de emergência climática, as escolas têm um papel central na formação de uma geração mais consciente, crítica e corresponsável. O SustentArqui nasce justamente dessa perspectiva: transformar a sustentabilidade em cultura institucional, envolvendo alunos, educadores, colaboradores, gestores e famílias em uma jornada coletiva de cuidado com a Casa Comum”, completa Rene.
Assim, diversas escolas já estão propondo atividades na grade curricular para desenvolver o pensamento crítico dos estudantes do currículo básico e estimular a participação frente a questões atuais. Nesse contexto, em relação à introdução de diretrizes nacionais oficiais, o projeto discutido pela Comissão de Educação ainda passará pela análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar uma lei vigente, deverá ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
Sobre o Marista Brasil
O Marista Brasil é uma rede de colégios e escolas sociais presente em 21 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/.
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