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Corredor Bioceânico chega a 90% de conclusão e vai redesenhar logística da América do Sul
Nova rota rodoviária promete reduzir tempo de exportação para a Ásia e beneficiar regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.
A Rota Bioceânica, corredor rodoviário que conectará o Brasil ao Oceano Pacífico por meio do Paraguai, Argentina e Chile, já alcança 90% de conclusão e promete reduzir em até 17 dias o tempo de escoamento de produtos brasileiros para mercados asiáticos.
O diplomata João Carlos Parkinson de Castro, do Ministério das Relações Exteriores, destacou à Sputnik Brasil que o projeto corrige um desequilíbrio histórico na distribuição logística do país. Segundo ele, regiões que atualmente dependem dos portos do Sul e Sudeste passarão a contar com uma alternativa concreta e estratégica.
"O Corredor Rodoviário Bioceânico vai transformar a logística nacional. Estamos oferecendo ao operador comercial brasileiro uma solução alternativa ao Sul-Sudeste. Isso vai beneficiar o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste, que ficarão menos dependentes do Sul."
Parkinson de Castro também ressaltou o impacto esperado sobre os preços de produtos importados nas regiões mais distantes dos grandes centros. De acordo com o diplomata, a melhoria no escoamento deve reduzir o custo de mercadorias que hoje chegam encarecidas após percorrer todo o trajeto pelo Sul.
"Um produto que ingressa pelo Sul é muito caro para ser comercializado no Norte. Se você aprimora a logística e reduz os custos de transporte, esse produto pode chegar a um preço competitivo no Norte do país, o que é muito positivo para o Brasil."
O diplomata ilustrou: "Não é só o paulista que pode ter o direito de tomar o vinho chileno. O paraense também tem o mesmo direito."
No âmbito geopolítico, o ministro situou o corredor dentro de uma mudança mais ampla nas rotas do comércio global. Ele afirmou que a modernização da logística nacional responde ao crescimento da relevância do Pacífico em relação ao Atlântico.
"Já possuímos um serviço portuário bem desenvolvido no Atlântico, mas enfrentamos dificuldades para acessar o Pacífico devido às barreiras geográficas. Nada melhor do que construir um corredor terrestre que garanta segurança geopolítica e ganhos de competitividade para o produtor nacional vender seu produto em melhores condições."
A operacionalização do corredor, contudo, exige avanços na integração aduaneira entre os quatro países. Leandro Pereira de Oliveira, auditor-fiscal da Receita Federal na área aduaneira, apontou a necessidade de um sistema unificado de controle entre as fronteiras.
"Precisamos de um gerenciamento de risco com intercâmbio de informações, de modo que um país confie nas informações do outro, por meio de lacres que permitam o trânsito seguro das mercadorias até os portos."
O auditor-fiscal elencou dois principais desafios: o geográfico e o normativo. O primeiro envolve obstáculos físicos no trajeto, como o Chaco paraguaio e a travessia da Cordilheira dos Andes até os portos chilenos. O segundo refere-se à harmonização de regras entre os países envolvidos.
"Temos desafios relacionados à integração das normas dos países, não apenas no controle aduaneiro, mas também em normas de trânsito que envolvem outros órgãos e acordos multilaterais, para que o comércio exterior flua da melhor forma e se alcance a redução de tempo esperada com esse corredor."
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