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Otimismo entre EUA e Irã diminui e juros de longo prazo sobem quase 10 pontos

Tensões renovadas no Oriente Médio e incertezas internas elevam taxas e pressionam expectativas para a Selic em 2026

26/05/2026
Otimismo entre EUA e Irã diminui e juros de longo prazo sobem quase 10 pontos
- Foto: Depositphotos

O otimismo que havia tomado conta dos mercados em relação às negociações entre Estados Unidos e Irã perdeu força nesta terça-feira, 26. O governo iraniano acusou Washington de violar o cessar-fogo e alertou que “nenhuma agressão ficará sem resposta”, o que justificou a abertura da curva de juros brasileira desde as primeiras horas do dia.

Como resultado, a taxa do depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu para 14,065%, ante 14,006% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 avançou para 13,815%, de 13,674%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 encerrou em 13,895%, acima dos 13,801% registrados no ajuste de segunda-feira.

Em paralelo, operadores do mercado também acompanham de perto a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da jornada de trabalho, além das declarações divergentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a PEC da autonomia do Banco Central.

O gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos, observa que, atualmente, o mercado se concentra em uma única questão: a continuidade ou não da guerra no Oriente Médio. “No final das contas, o que isso implica? Se a guerra persistir e o estreito de Ormuz permanecer fechado, haverá redução na oferta de petróleo, o que eleva o preço da energia, diminui a atividade econômica e aumenta a inflação”, explica.

Nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de violarem o cessar-fogo vigente ao realizarem “ações ilegais e provocativas” contra embarcações comerciais iranianas na região de Hormozgan, no Golfo Pérsico, nas últimas 48 horas. Teerã reiterou que “nenhuma agressão ficará sem resposta” e prometeu reagir a qualquer novo ataque.

“Com o retorno das notícias sobre confrontos entre EUA e Irã envolvendo embarcações, o mercado voltou a precificar uma probabilidade maior de fechamento prolongado do estreito de Ormuz”, acrescenta Campos, da Armor.

O choque nos preços da energia continua impactando as projeções do mercado para a inflação e a política monetária. Apesar de a maioria dos analistas ainda apostar em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de junho do Copom – com 84% de probabilidade, contra 16% de manutenção –, algumas instituições já revisam suas estimativas e preveem uma taxa terminal mais elevada, com grande parte do mercado projetando os juros básicos próximos de 14,00% ao fim de 2026.

O Citi, por exemplo, passou a estimar a Selic encerrando 2026 em 13,75% (ante previsão anterior de 13,25%), com o último corte previsto para setembro. O banco justificou a revisão destacando que o Copom adotou um tom mais hawkish (duro) após a reunião de abril, além de um processo de desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos.

Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, ressalta que o Banco Central tem pouco espaço para cortes de juros, já que o petróleo Brent voltou a subir 3,5%, fechando a US$ 99,58 por barril nesta terça, e o câmbio não tem apresentado desempenho favorável. “O dólar está acima de R$ 5, o que deixa de ser um fator positivo para o BC projetar uma inflação menor”, conclui.

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