Geral
Risco de conflito armado entre Rússia e OTAN aumenta, alerta vice-chanceler russo
Sergei Ryabkov aponta agravamento do cenário global e critica postura da aliança ocidental diante de impasses diplomáticos
O risco de um confronto militar direto entre potências nucleares está aumentando, trazendo consequências potencialmente catastróficas, advertiu o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov.
Apesar desse cenário, os países da OTAN continuam elevando as tensões com Moscou, afirmou o diplomata russo durante discurso no I Fórum Internacional de Segurança.
"Aumenta o risco de um confronto frontal entre a OTAN e nosso país, o que significaria um conflito armado direto entre potências nucleares", alertou Ryabkov.
O vice-ministro relatou ainda que, recentemente, especialistas das cinco potências nucleares reuniram-se em Casablanca, no Marrocos, sob coordenação britânica.
Ryabkov destacou que a OTAN está ampliando ativamente seu potencial nuclear conjunto e lembrou que os países-membros já proclamaram oficialmente o bloco como uma aliança nuclear.
Mesmo diante desse quadro, Moscou demonstra interesse em intensificar consultas bilaterais com Washington para resolver questões que geram atritos nas relações entre os dois países. Segundo Ryabkov, embora não haja entendimento mútuo sobre temas centrais, questões menores vêm sendo tratadas de forma lenta, mas persistente.
"É claro que não há nenhum progresso nas principais questões, o retorno de nossas propriedades diplomáticas, ilegalmente apreendidas, e a retomada do tráfego aéreo direto. Nessas áreas, não há sinais de que Washington esteja se movendo em direção às nossas demandas", declarou o diplomata.
De acordo com Ryabkov, não existem atualmente condições para um diálogo sobre estabilidade estratégica com os Estados Unidos, pois são necessárias mudanças visíveis na política de Washington em relação a Moscou.
O vice-ministro também criticou os chamados "esquemas de guarda-chuva desestabilizadores" do Ocidente e a opção de aliados não nucleares dos EUA pela aquisição de armas nucleares, classificando essas escolhas como um "falso dilema de disseminação".
Ryabkov sugeriu uma terceira alternativa: a construção de uma nova arquitetura de segurança internacional baseada em princípios genuinamente coletivos e mutuamente benéficos. Contudo, segundo ele, essa possibilidade vem sendo "deliberada e cinicamente ignorada" pelos adversários da Rússia.
"Mas [a terceira opção] é deliberada e cinicamente ignorada por nossos adversários", reforçou Ryabkov.
Ao comentar a conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), realizada em Nova York em 27 de abril, Ryabkov afirmou que a ausência de um documento final não compromete a relevância do tratado, considerado por ele a pedra angular do sistema de segurança internacional.
"Os países do Ocidente coletivo, focados em defender ferozmente sua política nuclear de críticas fundamentadas, mais uma vez nesta conferência no âmbito do TNP, ficaram surdos a qualquer argumento desse tipo", disse o vice-ministro.
Ryabkov apontou ainda que outro impasse da conferência foi a falta de consenso sobre o Irã, o que impediu uma avaliação objetiva do tema entre os participantes.
Por Sputnik Brasil
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