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DF aciona STF para obrigar governo federal a participar do socorro ao BRB

Governo do Distrito Federal pede intervenção do Supremo para garantir aval da União em empréstimo ao banco regional, após prejuízo causado pela crise do Banco Master.

26/05/2026
DF aciona STF para obrigar governo federal a participar do socorro ao BRB
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O governo do Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obrigar o governo federal a participar do socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB) , afetado pela crise do Banco Master. O pedido foi protocolado em 19 de maio e tramita sob segredo de Justiça.

A estratégia já estava sendo discutida há mais de um mês pela cúpula do DF e do BRB, segunda apuração do Estadão.

O relator do caso é o ministro Luiz Fux. Conforme revelou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estadão), nesta terça-feira, 26, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), participa de uma reunião com o magistrado e representantes da União em uma espécie de audiência de conciliação.

No dia anterior, Fux determinou que a Advocacia-Geral da União e o Banco Central se manifestassem sobre o caso.

O governo do DF ficou sem recursos na caixa para honrar compromissos e perdeu a capacidade de pagamento realizada pela União para concessão de aval do Tesouro Nacional em operações financeiras.

O Distrito Federal busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e pretende que a União seja avaliadora da operação. O objetivo é injetar recursos no BRB e cobrir o rombo deixado pelo Master.

O FGC resiste a conceder o financiamento sem a participação da União e de outros bancos. No fim de abril, Celina Leão enviou ofício ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, solicitando que o governo federal conceda o aval de forma excepcional, alegando riscos para o DF e para o sistema bancário caso o BRB seja quebrado. Ela também pediu uma reunião com o presidente Lula, mas não foi atendida.

O ministro da Fazenda afirmou que o Distrito Federal não apresenta condições financeiras para ser socorrido pela União. Durigan sugeriu que o governo distrital ofereça o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) como garantia da operação. O fundo é responsável pelo pagamento de educação de policiais, profissionais de saúde e educação do DF, o que gera resistência em comprometer essa transferência.

O BRB não publicou o balanço financeiro de 2025, cujo prazo de divulgação era até 31 de março, e foi sancionado pelo Banco Central. Informalmente, o banco e o governo do DF prometeram ao Banco Central entregar o balanço até a próxima sexta-feira, 29, adicionalmente com uma solução para cobrir o prejuízo do Banco Master. Caso não consiga o empréstimo, o plano B é adotar uma solução contábil via securitização da dívida ativa do DF.

Integrantes do BRB e do governo do DF argumentam, nos bastidores, que o Distrito Federal tem condições de quitar o empréstimo, mesmo com a nota “C” atribuída pelo Tesouro Nacional em sua capacidade de pagamento, o que impede uma garantia. Lembram ainda que a União já socorreu estados em situação mais grave, como o Rio de Janeiro, e estados altamente individualizados, como os Correios. Interlocutores registraram que, em 2009, o STF obrigou a União a conceder aval para um empréstimo internacional de R$ 190 milhões ao DF.

Entre os quatro indicadores avaliados pelo Tesouro Nacional, o DF recebeu nota "vermelha" em poupança corrente, que mede a relação entre despesas e receitas correntes. Já o endividamento, a liquidez da caixa e o ranking de qualidade fiscal receberam nota “azul”. O governo afirma estar promovendo ajuste fiscal para equilibrar o orçamento.

O DF acumula déficit de R$ 2,7 bilhões nos últimos 27 meses. O secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, afirmou ao Estadão que o compromisso é corrigir a rota e alcançar superávit até agosto, com esforços para aumentar a receita e cortar gastos.