Geral
Lula anuncia envio de ajuda humanitária à Bolívia
Presidente brasileiro atende pedido de Rodrigo Paz diante de protestos e bloqueios que agravam desabastecimento no país vizinho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, nesta segunda-feira (25), ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, que o Brasil enviará ajuda humanitária ao país vizinho. O anúncio foi feito durante conversa telefônica entre os chefes de Estado, em resposta a um pedido de Paz diante da crise provocada por protestos e bloqueios de estradas, que têm causado desabastecimento em diversas regiões bolivianas.
Segundo o Itamaraty, os protestos, que se intensificaram em maio, reúnem trabalhadores, professores, camponeses, indígenas, transportadores e setores sindicais ligados à Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB), todos contrários ao governo.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores destacou que Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos, ressaltando a importância do respeito pleno às instituições democráticas e ao Estado de Direito.
Lula também defendeu que tanto o governo quanto os movimentos sociais evitem o uso da violência, privilegiando o diálogo como caminho para superar divergências e preservar a paz social.
As mobilizações são mais intensas em regiões como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca, com dezenas de bloqueios rodoviários que afetam principalmente os acessos à capital, La Paz.
No sábado (23), forças policiais e militares lançaram a Operação Bandeiras Brancas para tentar desbloquear a rodovia La Paz-Oruro e outras estradas estratégicas. A operação resultou em confrontos violentos, especialmente na região de Senkata, em El Alto, onde agentes usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, que resistiram e reforçaram os bloqueios.
Parte dos manifestantes rejeita as reformas econômicas propostas pelo governo e acusa Rodrigo Paz de ignorar demandas relacionadas a salários, terras, saúde e educação.
Paz, há seis meses no poder e enfrentando a pior crise econômica boliviana em quatro décadas, atribui os protestos à articulação política do ex-presidente Evo Morales.
Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, foi impedido de disputar as eleições presidenciais do ano passado após decisão constitucional que limitou as reeleições.
O governo boliviano denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que buscam "desestabilizar a ordem democrática".
A crise econômica é marcada pela escassez de dólares, inflação crescente e dificuldades no abastecimento. Os bloqueios recentes agravaram a falta de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz, elevando ainda mais os preços. Em abril, a inflação acumulada chegou a 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
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