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Planetas sem núcleo definido desafiam modelo clássico e sugerem que a Terra é a exceção galáctica
Novo estudo revela que mundos maiores que a Terra podem não ter camadas internas claras, tornando nosso planeta uma raridade no Universo.
Planetas maiores que a Terra, mas menores que Netuno podem não possuir um núcleo metálico distinto como o nosso. Uma nova pesquisa aponta que, sob temperaturas extremas, os materiais internos desses mundos se misturam completamente, formando planetas sem camadas internas bem definidas - indicando que a estrutura da Terra pode ser uma exceção no Universo.
O estudo propõe que a estrutura interna dos planetas rochosos pode divergir bastante do modelo clássico baseado na Terra. Em vez de um núcleo metálico denso, um manto de silicato e uma atmosfera fina, muitos desses planetas — especialmente os chamados sub-Netunos, os mais comuns na galáxia — podem não apresentar divisões internas claras.
Tradicionalmente, esses planetas, maiores que a Terra e menores que Netuno, eram vistos como versões ampliadas do nosso modelo terrestre. No entanto, uma pesquisa recente indica que, nas condições extremas de pressão e temperatura, hidrogênio, silicato e ferro tornam-se miscíveis, formando um único fluido turbulento em seu interior.

De acordo com os autores, se um planeta acumula mais de 1% de sua massa em hidrogênio, perde a separação entre núcleo, manto e atmosfera. Todo o interior se transforma em uma mistura homogênea, sem fronteiras internas, alterando de forma significativa a evolução e a dissipação de calor desses mundos.
Esse novo modelo contribui para explicar características já observadas entre exoplanetas, como a chamada "lacuna de raio" — a ausência de planetas intermediários entre super-Terras e sub-Netunos — e a relação entre o tamanho planetário e o período orbital. A miscibilidade interna oferece respostas que os modelos estratificados anteriores não conseguiram fornecer.
Segundo o estudo, os jovens sub-Netunos deveriam liberar o oxigênio gradualmente do interior para a atmosfera à medida que esfriam, o que os fariam parecer mais inchados do que o previsto. Essa assinatura pode ser bloqueada em planetas recém-formados observados pelo telescópio espacial James Webb (JWST) e por futuros levantamentos de trânsito.
Os autores registram limitações: parte das conclusões se baseia em extrapolações teóricas sobre o comportamento de materiais em condições ainda não totalmente reproduzíveis em laboratório. Além disso, o método estatístico utilizado para reconstruir a física interna a partir da população observada envolve incertezas consideráveis.
Ainda assim, a principal implicação é clara: o modelo terrestre pode ser uma exceção, e não a regra. O planeta típico da galáxia talvez não possuísse um núcleo metálico definido — tornando a própria Terra um caso raro entre os mundos rochosos.
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