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Ex-ministro da Justiça aponta escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e alerta para risco de cassação
José Eduardo Cardozo avalia que denúncias sobre repasses financeiros abalam candidatura do senador e podem provocar ruptura na direita radical.
A crise envolvendo Flávio Bolsonaro, relacionada a repasses de Daniel Vorcaro e ao financiamento de um filme, "atingiu a candidatura no coração", segundo José Eduardo Cardozo. O ex-ministro destaca que as contradições do senador e as suspeitas financeiras podem levar à cassação e impactar a direita radical brasileira.
José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, afirmou que a situação envolvendo Flávio Bolsonaro após denúncias sobre repasses ligados a Daniel Vorcaro representa um "golpe duro" na possível candidatura presidencial do senador do Partido Liberal (PL) pelo Rio de Janeiro.
Em entrevista à mídia brasileira, Cardozo classificou o caso como "escandaloso" e afirmou que pode desencadear uma ruptura na direita radical.
De acordo com Cardozo, os efeitos eleitorais já são perceptíveis e tendem a se intensificar. "A candidatura de Flávio Bolsonaro já foi atingida no coração antes mesmo da largada", apontou, ressaltando que o avanço das investigações deve aprofundar o desgaste da imagem do senador.
O ex-ministro destacou as contradições de Flávio sobre sua relação com Vorcaro, lembrando que o senador negou proximidade antes de admitir encontros e negociações financeiras. "Ele mente sucessivamente tentando encobrir uma realidade", afirmou. Para Cardozo, tal postura configura falta de decoro e pode justificar a cassação.
Cardozo comparou o episódio ao caso Eduardo Cunha, cassado por mentir ao parlamento, e avaliou que o impacto político e ético pode ser semelhante. Ele também levantou suspeitas sobre a origem dos recursos do filme ligado ao clã Bolsonaro, afirmando: "Isso parece muito mais uma estrutura de arrecadação de recursos do que uma produção cinematográfica".
O ex-ministro apontou possíveis crimes financeiros, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, defendendo o bloqueio de bens e o aprofundamento das investigações internacionais. "Muita água ainda vai rolar. E tenho a sensação de que muita gente pode morrer afogada nesse processo", afirmou.
Cardozo avaliou que a crise já provoca movimentações na direita, com nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) surgindo como alternativas. Ele ironizou ainda a presença de Sergio Moro (União Brasil) ao lado de Flávio: "A expressão do Moro era histórica. Parecia alguém percebendo que o barco estava afundando".
Apesar de criticar vazamentos seletivos, Cardozo defendeu rigor nas apurações e respeito ao Estado de Direito. Ele também comentou debates no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre projetos ligados aos condenados de 8 de janeiro, afirmando que mudanças que reduzam penas podem ser inconstitucionais.
"É um escândalo de proporções enormes. E a impressão é que estamos apenas no começo", concluiu.
Por Sputnik Brasil
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