Geral
Poli-USP vence competição de tecnologia nuclear da Rosatom e representará o Brasil na Rússia
Equipe Cherenkov Marine Rats supera universidades de todo o país e garante vaga na final mundial do Global HackAtom, em Ecaterimburgo.
Uma equipe formada por estudantes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) conquistou a etapa brasileira do Global HackAtom 2026, competição internacional promovida pela estatal russa de energia nuclear Rosatom. O evento tem como objetivo incentivar o desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor nuclear.
A final nacional aconteceu no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo, e garantiu ao grupo uma vaga na final mundial, que será realizada em setembro, na cidade russa de Ecaterimburgo.
Batizada de "Cherenkov Marine Rats", a equipe reúne estudantes das áreas de engenharia e militar. O nome faz referência tanto ao mascote da Poli-USP quanto ao efeito Cherenkov, fenômeno luminoso observado em reatores nucleares. O grupo é composto por João Victor Nick Angelo, Larissa Oliveira Silva, João Pedro Calomeni Eletério, Guilherme Poltronieri Leme da Silva e Natan Rejtman Missrie.
Durante 24 horas, os participantes desenvolveram propostas voltadas ao uso de tecnologias nucleares em setores como energia, indústria, ciência e sustentabilidade. No total, seis equipes representando instituições como USP, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto Militar de Engenharia (IME) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) participaram da seletiva nacional.
De acordo com João Victor, capitão da equipe vencedora, a diversidade do grupo foi um diferencial importante na competição. "Somos uma equipe improvável e diversa, algo que, de certa forma, reflete a própria identidade brasileira. Competir com grupos fortes e ideias excelentes nos trouxe muito mais que a vitória", afirmou.
Cooperação com a Rosatom
Isolda Costa, diretora-superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), destacou que a realização do HackAtom no Brasil aproxima estudantes da ciência nuclear e de suas aplicações práticas.
"Para nós, é muito valiosa a cooperação com a Rosatom em projetos que aproximam os jovens da ciência nuclear e mostram sua importância prática. Os estudantes são o futuro do nosso setor, e apoiar hoje o interesse deles por tecnologia ajuda a construir o desenvolvimento da área nuclear de amanhã", declarou.
Dmitry Samokhin, chefe do Departamento de Física e Tecnologias Nucleares da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI, de Moscou, ressaltou o desempenho das equipes brasileiras e a relevância do intercâmbio acadêmico internacional.
"O Brasil possui uma forte tradição em engenharia e um grande interesse de jovens profissionais por desafios tecnológicos modernos. Isso ficou claro pelo nível das equipes que participaram da etapa nacional do Global HackAtom. Para o MEPhI, é importante que esse formato ajude os estudantes não apenas a aplicar conhecimentos de física e engenharia, mas também a compreender como as tecnologias nucleares estão ligadas a desafios reais da ciência e da indústria", disse.
A final internacional do HackAtom será realizada de 11 a 17 de setembro, durante o World Youth Festival, evento dedicado à ciência e tecnologia que reúne jovens de diversos países na Rússia.
O Brasil chega à edição deste ano após o destaque alcançado em 2025, quando a equipe TupiTech, do IME, venceu a final mundial com um projeto de reator nuclear modular voltado à exploração espacial e ao funcionamento de bases lunares. O grupo foi posteriormente homenageado no Senado Federal.
Criado em 2022, o Global HackAtom já realizou etapas em 17 países e reuniu mais de 1.200 participantes. O objetivo da competição é aproximar estudantes e jovens profissionais dos desafios do setor nuclear, incluindo aplicações nas áreas de medicina, exploração espacial, ecologia e geração de energia.
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