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CFM aprova regras para uso do fenol, apesar de substância estar proibida pela Anvisa

Conselho Federal de Medicina estabelece normas rígidas para procedimentos com fenol, mesmo diante da proibição vigente da Anvisa desde junho de 2024.

22/05/2026
CFM aprova regras para uso do fenol, apesar de substância estar proibida pela Anvisa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução que autoriza e estabelece regras para o uso do fenol em procedimentos terapêuticos, estéticos e cirúrgicos. A medida ocorre mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir a substância desde junho de 2024.

A decisão da Anvisa foi motivada pela morte de um homem de 27 anos após um "peeling de fenol" em uma clínica na zona sul de São Paulo. O procedimento, considerado agressivo, é utilizado para rejuvenescimento facial e eliminação de rugas, mas o fenol apresenta riscos de toxicidade cardíaca e renal.

Em nota enviada ao Estadão, o CFM afirma que as novas normas são rigorosas para garantir a segurança do paciente e da equipe. “Ele (o fenol) é uma arma terapêutica importante e deve ser usado com responsabilidade, seguindo todos os protocolos de segurança”, destacou a conselheira federal Yáscara Lages, uma das relatoras da resolução. A Anvisa não respondeu aos questionamentos do Estadão sobre a decisão do CFM.

Entre as principais normas estabelecidas pelo CFM estão:

- Apenas médicos capacitados e com treinamento atualizado em Suporte Avançado de Vida (ACLS) podem realizar procedimentos com fenol, estando aptos a avaliar e manejar riscos individuais dos pacientes;

- Avaliação pré-procedimento obrigatória, incluindo triagem rigorosa, análise clínica, laboratorial e eletrocardiográfica;

- Uso obrigatório de equipamentos de proteção individual para todos os profissionais envolvidos;

- Utilização exclusiva de fórmulas cientificamente validadas, com composição conhecida e padronizada;

- Responsabilidade integral do médico em todas as etapas do tratamento, desde a aquisição até o seguimento, sendo vedada a disponibilização, empréstimo, cessão ou comercialização do fenol.

O CFM defende que, sob condições controladas e com profissionais qualificados, o fenol pode ser seguro e benéfico, mas alerta para os riscos envolvidos. “Sua toxicidade sistêmica pode levar a complicações, como arritmias cardíacas complexas e insuficiência renal. Por isso, os procedimentos devem ser realizados exclusivamente por médicos capacitados e em ambientes controlados”, diz a exposição de motivos assinada por Yáscara Lages e Graziela Bonin.

Segundo nota da Anvisa de 2024, a proibição do fenol visa proteger a saúde e a integridade física da população brasileira, já que, até o momento, não há estudos que comprovem a eficácia e a segurança do uso da substância em procedimentos estéticos ou de saúde.

A restrição permanece em vigor enquanto seguem as investigações sobre os possíveis danos associados ao uso do fenol em procedimentos invasivos.