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Lula cobra ação dos EUA contra lavagem de dinheiro do crime organizado brasileiro
Presidente pede colaboração de Washington para coibir operações ilícitas de grupos brasileiros nos Estados Unidos e defende centralização da segurança pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos Estados Unidos uma atuação mais firme contra empresas americanas que facilitam a lavagem de dinheiro do crime organizado brasileiro em território norte-americano.
Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira (22), Lula revelou ter abordado diretamente o então presidente americano, Donald Trump, sobre o tema durante sua última visita aos EUA. Segundo Lula, ele entregou um documento a Trump para reforçar o pedido de cooperação e encerrar qualquer dúvida sobre o assunto.
"Você [Trump] quer combater o crime organizado? Nós também queremos. Você quer combater os narcotraficantes? Nós também queremos. Agora, é o seguinte: é importante você saber que tem um estado nos Estados Unidos, que é Delaware, que faz lavagem de dinheiro de bandido brasileiro. As armas que a polícia brasileira apreende vêm lá dos Estados Unidos."
Lula também destacou que solicitou a Trump que os encontros entre ambos, tanto na Malásia quanto nos EUA, começassem sem a presença da imprensa. O presidente brasileiro explicou que temia situações constrangedoras, como a que envolveu o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Segundo Lula, a suposta rivalidade entre ele e Trump é apenas uma narrativa, e afirmou que, no episódio da ONU, quando Trump comentou sobre uma "química" entre os dois, ele apenas reforçou a necessidade de diálogo.
Lula pede a Alcolumbre para pautar PEC da Segurança
Durante a entrevista, Lula detalhou as ações do governo na área de segurança pública, como a criação de presídios de segurança máxima e operações focadas no combate ao fluxo financeiro do crime organizado.
O presidente ressaltou, porém, que é fundamental que o Senado, sob comando de Davi Alcolumbre (União-AP), coloque em pauta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A medida visa dar mais protagonismo à União nas decisões sobre segurança, atualmente sob responsabilidade dos estados.
Para Lula, a Constituição tirou o poder de segurança da federação em razão do trauma da ditadura. Segundo ele, foi um erro de avaliação dos constituintes, incluindo ele próprio e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Na seara política, Lula criticou o fundo partidário, afirmando que o mecanismo trouxe "promiscuidade" à política. O presidente admitiu que o Partido dos Trabalhadores (PT) não aprova suas críticas ao tema.
"Eu, por exemplo, estou muito chateado com a organização política do país. Eu era favorável a fundo partidário, favorável a fundo eleitoral, e hoje sou contra porque levou à promiscuidade da política — o PT não gosta que eu fale isso, se tiver petista me ouvindo agora. Levou à promiscuidade. Um deputado hoje tem R$ 50 milhões, R$ 60 milhões de emenda."
Lula também afirmou que, por ele, não existiriam casas de apostas no Brasil. Questionado sobre a sanção da lei que regulamenta o setor, explicou que vetar a proposta seria inócuo, pois o Congresso Nacional derrubaria seu veto.
Sobre a jornada de trabalho 6x1, que aguarda votação, Lula garantiu que não haverá prejuízo à economia e que a medida trará mais qualidade de vida ao trabalhador: "As pessoas vão estar mais tranquilas, mais descansadas".
"Por que os empresários falavam que o trabalhador não pode ficar 20 dias em casa, ele tem que ficar só dez dias, porque o ócio o levava à violência, à bebedeira? Estamos trabalhando com uma mentalidade retrógrada, de gente que aparece moderninho na televisão, mas no trato com o subordinado, não tem nada de moderno."
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