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Para ler e ver: jornalismo em quadrinhos, um outro jeito de se informar (VÍDEOS)
Além da forma tradicional de se fazer jornalismo, as histórias em quadrinhos (HQ) também são usadas como ferramenta de mídia capaz de informar. O estilo ganhou muita força devido à sua capacidade de reportar guerras, migrações, crises sociais e outros temas complexos, combinando apuração, testemunho, impacto visual e narrativas ilustradas.
Esse tipo de produção jornalística não se trata de ficção adaptada com fatos ou de tirinhas que satirizam políticos e temas específicos. Trata-se de uma imersão jornalística baseada em apuração e entrevistas, mas contada por meio de imagens e balões de diálogo. É o que explica Mariana Viana, jornalista especializada em quadrinhos do canal Fora do Plástico, em entrevista à Sputnik Brasil.
"Há uma associação muito grande quando se fala em quadrinhos no jornalismo com tiras como Mafalda e Calvin e Haroldo. Mas, na verdade, trata-se de produção jornalística em quadrinhos para fazer reportagem. Ou seja, haverá todas as características de uma reportagem tradicional, só que acrescida do suporte visual e dos elementos dos quadrinhos, com texto e imagem conjugados", disse.
Nesse aspecto, Mariana aponta que, por meio da nona arte, como as HQs são conhecidas entre seus adeptos, é possível utilizar a imagem não apenas como um acessório narrativo, mas sim como um complemento ao texto feito pelo jornalista.
"Muitas vezes, a imagem vai dizer muito mais do que o próprio texto, porque se elimina aquilo que estaria sendo descrito, já que temos uma ilustração. E o jornalismo em quadrinhos, então, vai caminhar nesse sentido para produzir matérias", comenta.
Joe Sacco, ícone do jornalismo pela nona arte
Autores como o quadrinista-jornalista maltês Joe Sacco, conhecido por obras sobre a Palestina e a Bósnia, ajudaram a consolidar a reportagem em quadrinhos por terem sistematizado a forma de produzir e mesclar dois polos em sua rotina profissional: o jornalismo com a metodologia quadrinhística, como explica Mariana.
"Joe Sacco, acima de tudo, é jornalista. Em suas obras, ele se preocupa muito com a apuração e com a representação dos fatos. A partir disso, ele sistematiza o jornalismo no formato de quadrinhos. Seus trabalhos costumam ter temas pesados, como o que acontece na Palestina [publicado na década de 1990], e o mais recente é 'Pagar a Terra', no qual ele aborda a questão dos indígenas no Canadá", destaca.
A relevância desse tipo de trabalho já teve reconhecimento importante, como foi o caso de "Maus", de Art Spiegelman, que venceu o Prêmio Pulitzer, um dos mais tradicionais do jornalismo, em 1992, na categoria Citações e Prêmios Especiais. A obra de Spiegelman acaba sendo uma porta de entrada para novos leitores nesse segmento, como conta a jornalista.
"Se a gente, por um lado, tem o Joe Sacco como a figura central do jornalismo em quadrinhos, também tem o Art Spiegelman com 'Maus', que provavelmente é o quadrinho adulto que as pessoas mais conhecem. Ali há uma história sendo produzida [sobre seu pai, sobrevivente do Holocausto] com representações de gatos [nazistas] e ratos [judeus] que consegue traduzir os horrores do nazismo", observa.
Reportagens ilustradas ajudam a contar a história
A especialista também ressalta que esse tipo de obra, ao mesclar informação e arte gráfica, além de ajudar a contar histórias, também se torna fonte para que o público geral possa entender de forma mais palatável temas complexos como os de ordem geopolítica.
"O jornalismo é ferramenta para a história. Logo, o quadrinho vai ser entretenimento, mas também pode servir como reportagem. Dentro disso, dá para pensar também como essas obras vão sintetizar temas e como essa sintetização precisa ser bem avaliada para não se tornar um produto simplista. Os quadrinhos são algo sintético, mas é possível fazer com que sintetizem da maneira certa", conclui.
O ambiente digital está cada vez mais presente no comportamento da sociedade, e mídias de diversos matizes se adaptam à dinâmica virtual. Nesse cenário, o ato de fazer jornalismo ganha força e projeção ao ocupar meios antes restritos ao entretenimento, consolidando e popularizando as histórias em quadrinhos como uma potente ferramenta de informação visual.
Por Sputinik Brasil
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