Geral
Acelen reajusta gasolina em 3,6% enquanto Petrobras mantém preço há quase quatro meses
Refinaria de Mataripe aumenta valor do combustível apesar da queda do petróleo; estatal segue sem reajuste e defasagem chega a 66%.
A Refinaria de Mataripe, na Bahia, administrada pela Acelen, controlada pelo grupo Mubadala, anunciou um aumento de 3,6% no preço da gasolina nesta quinta-feira (21), refletindo a pressão dos preços internacionais sobre o mercado nacional. O valor do diesel S-10 permaneceu estável em relação à semana anterior, enquanto o diesel S-500 registrou queda de 1,8%.
O reajuste ocorre em meio à queda nos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada por avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz. Por volta das 10h desta sexta-feira, o barril do Brent apresentava recuo de 1,39%, cotado a US$ 103,4.
Apesar do aumento, a gasolina produzida em Mataripe continua 2% abaixo do preço praticado no Golfo do México, conforme dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já o diesel vendido pela refinaria baiana está 10% acima do valor internacional.
Petrobras mantém preços
Enquanto isso, a Petrobras completa 116 dias sem reajustar o preço da gasolina. Segundo a Abicom, a defasagem média nas refinarias da estatal chegou a 66% na quinta-feira, abrindo margem para um aumento de até R$ 1,67 no mercado interno. A expectativa é que a empresa anuncie reajuste em breve, após aderir ao programa de subvenção do governo em 20 de junho.
A Petrobras, contudo, informou que a adesão ao programa não altera sua estratégia comercial, que segue considerando participação de mercado, otimização dos ativos de refino e rentabilidade sustentável, evitando repassar a volatilidade internacional e do câmbio aos preços internos.
Em entrevista no início de maio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que aguardava a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) — que trata do uso da receita adicional com a alta do petróleo para compensar o aumento da gasolina no mercado interno — para definir o reajuste. O PLP ainda tramita no Congresso.
Mais recentemente, Magda declarou que o aumento da gasolina ocorreria “já, já”, mas ponderou sobre a queda do preço do etanol, principal concorrente da gasolina, e a necessidade de cautela para não perder participação de mercado.
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