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Projeto de censo marinho identifica mais de mil novas espécies nas profundezas do oceano

Iniciativa global revela biodiversidade inédita e destaca urgência de proteger ecossistemas ameaçados pelas mudanças climáticas e atividades humanas

21/05/2026
Projeto de censo marinho identifica mais de mil novas espécies nas profundezas do oceano
Expedição do Ocean Census revela espécies inéditas e destaca a riqueza oculta das profundezas oceânicas. - Foto: © Foto / The Nippon Foundation-Nekton Ocean Census Schmidt Ocean Institute 2025

Mais de mil espécies marinhas até então desconhecidas foram identificadas nas expedições recentes do Censo Oceânico, ampliando em 54% o número anual de novas descobertas e ressaltando a necessidade urgente de mapear a vida nos oceanos diante das crescentes ameaças ambientais.

O Censo Oceânico, esforço científico internacional que reúne mais de mil pesquisadores em 85 países, revelou 1.121 espécies inéditas, incluindo vermes que habitam "castelos de vidro", esponjas carnívoras e o raro "tubarão-fantasma".

Essas descobertas ampliaram significativamente o conhecimento sobre a biodiversidade marinha, especialmente em regiões abissais, tradicionalmente inóspitas, mas que se mostram repletas de formas de vida surpreendentes.

Entre as espécies catalogadas está uma verme poliqueta encontrada a 800 metros de profundidade no Japão, vivendo em simbiose com uma esponja de vidro de esqueleto translúcido. O verme se abriga enquanto mantém a superfície da esponja livre de detritos.

Na Austrália, pesquisadores identificaram uma nova quimera, conhecida como "tubarão-fantasma", parente distante de tubarões e raias, cuja linhagem divergiu há cerca de 400 milhões de anos.

Em Timor-Leste, um verme-fita laranja de 2,5 centímetros chamou a atenção por suas toxinas potentes, atualmente estudados como possíveis tratamentos para doenças como Alzheimer e esquizofrenia.

A quase 3.650 metros de profundidade, na Fossa Norte das Ilhas Sanduíche do Sul, foi descoberta a esponja carnívora "bola da morte", coberta por ganchos microscópicos que capturam e digerem pequenos crustáceos.

O Censo Oceânico destaca que a descrição formal de uma nova espécie pode levar, em média, 13,5 anos. Para agilizar o processo, o projeto passou a registrar imediatamente o status de "descoberta" em um banco de dados aberto, facilitando o acesso para a comunidade científica e formuladores de políticas públicas.

A iniciativa defender que conhecer a biodiversidade marinha é essencial para a sua proteção. Como afirmou o diretor do Censo Oceânico, Oliver Steeds, à mídia norte-americana: "Gastamos bilhões explorando a vida em outros mundos, mas descobrindo a vida do nosso próprio oceano custa uma fração disso".

Com informações da Sputnik Brasil