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Desembargadora relata racismo em supermercado: 'Sem a toga, sou apenas mais um corpo preto'
Adenir Carruesco, do TRT-23, compartilha experiência de discriminação ao ser confundida com funcionária em mercado de Cuiabá.
A desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), relatou em suas redes sociais ter sido vítima de racismo no último domingo, 17, em Cuiabá, capital de Mato Grosso. Segundo a magistrada, enquanto fazia compras em um supermercado, foi confundida com uma funcionária da loja por outra cliente.
De acordo com Carruesco, ela havia feito uma caminhada matinal e decidiu passar no supermercado. Enquanto estava no estabelecimento, uma senhora a abordou de forma insistente, pedindo informações sobre produtos e sobre a localização de itens na loja.
"Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que estava ali para servi-la, mas essa senhora não cometeu nenhum ato racista, ela agiu pela lógica, pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou: o lugar natural do preto é o serviço", refletiu Carruesco.
Para a desembargadora, o principal problema não está na fala da mulher, mas na ideia normalizada de que pessoas pretas não ocupam lugares de poder na sociedade — como o cargo que ela exerce.
"Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal. O problema não é aquela mulher no supermercado, é a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada. Um domingo de cada vez", concluiu.
Segundo a Polícia Civil do Mato Grosso, não foi registrado boletim de ocorrência sobre o caso.
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