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'Pode apagar tudo': como o Estado proibiu professora indígena de ensinar em guarani
Mesmo após cinco décadas, obstáculos ao ensino de línguas indígenas persistem nas escolas brasileiras.
Em 1972, Edna Silva de Souza, então com 16 anos, tentava ensinar crianças guarani em sua própria língua na aldeia de Caarapó (MS). Durante a ditadura militar, ela foi proibida de ensinar em guarani e ameaçada de exílio caso insistisse. Cinquenta anos depois, Edna relata que o problema persiste, ainda que sob novas formas.
Professores formados na Faculdade Intercultural Indígena (Faind) enfrentam dificuldades para implementar o ensino bilíngue nas aldeias. A estrutura educacional vigente, segundo Edna, impede a difusão das línguas originárias e ameaça a preservação cultural desses povos. "O sistema de ensino do município, do estado, do governo como um todo é muito forte", afirma.
Para ela, a disposição das crianças enfileiradas em sala de aula é uma herança da ditadura. "Existe resquício do domínio ditatorial, isso veda a troca de conhecimento. Só que, na maneira de o professor não indígena ver, eles olham como indisciplina."
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