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Empresas correm para criar regras internas para uso de IA antes de regulação oficial
Uso acelerado da inteligência artificial nas empresas brasileiras avança mais rápido do que políticas de segurança, governança e proteção de dados
A corrida corporativa pela inteligência artificial já começou e, em muitos casos, sem regras claras. Enquanto 95,2% das empresas brasileiras já tratam IA como prioridade estratégica para o ano, cresce também a preocupação com o uso descontrolado dessas ferramentas dentro das organizações. Segundo levantamentos recentes, 47% das empresas admitem que funcionários utilizam IA sem autorização formal ou diretrizes internas definidas, cenário que amplia riscos jurídicos, operacionais e de segurança da informação.
Na prática, o avanço da IA generativa nas empresas aconteceu mais rápido do que a criação de estruturas de governança capazes de acompanhar essa transformação. Dados de mercado apontam que o chamado “Shadow AI”, como é conhecido o uso de ferramentas de inteligência artificial sem conhecimento ou aprovação da empresa, cresceu 188% em setores estratégicos da economia, impulsionado pela popularização de plataformas abertas como ChatGPT, Claude e Gemini.
Para Túlio Barros, advogado especialista em tecnologia do escritório Gomes Altimari Advogados, o mercado vive um momento de adaptação acelerada, mas ainda sem maturidade suficiente para controlar os impactos do uso corporativo da IA.
“As empresas já entenderam que precisam utilizar inteligência artificial para ganhar produtividade e competitividade. O problema é que a adoção aconteceu mais rápido do que as políticas internas de controle e governança”, afirma.
Segundo ele, o principal risco hoje não está necessariamente na ferramenta em si, mas no compartilhamento indiscriminado de informações corporativas e dados sensíveis em plataformas abertas.
“Hoje ninguém consegue garantir 100% para onde esses dados vão. Muitas empresas estão usando IA em larga escala sem saber exatamente como essas informações estão sendo armazenadas ou tratadas”, explica.
A preocupação ganhou força principalmente entre departamentos jurídicos, compliance e segurança da informação. De acordo com Túlio, algumas empresas já começaram a limitar o uso de ferramentas abertas e a direcionar colaboradores para ambientes corporativos fechados, como soluções próprias ou plataformas integradas aos seus ecossistemas internos.
“A tendência é que as empresas criem agentes próprios e ambientes fechados de inteligência artificial para reduzir riscos de vazamento e manter controle sobre as bases de dados”, diz.
Além da proteção de dados, o debate também envolve responsabilidade civil, transparência algorítmica e futuras exigências regulatórias. Embora o Brasil ainda discuta projetos de regulamentação para inteligência artificial, especialistas avaliam que o mercado não deve esperar uma legislação definitiva para começar a se estruturar.
“As empresas não podem esperar regulamentação pública para agir. Quem não criar políticas internas agora corre o risco de enfrentar problemas jurídicos, operacionais e reputacionais nos próximos anos”, conclui Túlio.
Sobre a Gomes Altimari Advogados
Com mais de 20 anos de atuação, a Gomes Altimari Advogados é um escritório de advocacia empresarial focado em estratégia e segurança jurídica para o setor produtivo. Com sedes em Marília (SP), São Paulo, Jaú e Maringá, atende empresas de médio e grande porte em áreas como Tributário, Societário/M&A, Direito Digital (LGPD) e Trabalhista Estratégico. Reconhecido pela proximidade com o cliente e pelo rigor técnico, o escritório é referência no guia Análise Advocacia.
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