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Hipertenso pode fazer musculação? Especialista explica benefícios do exercício físico no controle da pressão
Prática orientada de exercícios de força ajuda a reduzir riscos cardiovasculares e melhora a qualidade de vida de pacientes que vivem com esta condição.
No próximo domingo (17), é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão, data que reforça o alerta sobre uma das condições crônicas mais comuns e perigosas da atualidade. Conhecida como uma “doença silenciosa”, a hipertensão arterial é considerada porta de entrada para problemas cardiovasculares graves, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doenças renais, podendo levar à morte quando não controlada adequadamente.
Embora muitas pessoas ainda associem o controle da pressão alta apenas às caminhadas e atividades aeróbicas leves, estudos recentes têm mostrado que o treinamento resistido, como a musculação, possui papel fundamental no combate à hipertensão, podendo alcançar resultados semelhantes ou até superiores em determinados casos.
Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, a prática orientada de treinos de força vem se consolidando como uma importante ferramenta terapêutica não farmacológica.
“Existe um mito muito antigo de que hipertenso não pode fazer musculação ou treino mais intenso, mas hoje a ciência já demonstra exatamente o contrário. Quando bem orientado e individualizado, o treinamento resistido melhora a função cardiovascular, reduz a pressão arterial e ainda proporciona mais qualidade de vida, autonomia e proteção muscular”, explica.
Um dos estudos que reforçam essa eficácia foi publicado na revista científica Scientific Reports, ligada ao grupo Nature, por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2023. A revisão sistemática analisou 14 ensaios clínicos randomizados com pessoas hipertensas e concluiu que o treinamento de força, realizado com intensidade moderada a vigorosa, ao menos duas vezes por semana e por no mínimo oito semanas, promoveu redução significativa do índice de pressão.
Segundo a pesquisa, os melhores resultados ocorreram com cargas superiores a 60% de uma repetição máxima (1RM), demonstrando que exercícios resistidos não apenas são seguros, como podem ser altamente eficazes para controle da hipertensão quando acompanhados adequadamente.
Além disso, a atualização da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em 2025, passou a recomendar o treinamento resistido no mesmo nível de evidência das atividades aeróbicas para pacientes hipertensos, consolidando o exercício de força como parte essencial do tratamento clínico.
Para o especialista, que está à frente da plataforma virtual Jauan Treinos – com metodologia voltada à ação personalizada –, a mudança no entendimento científico também reforça a importância do acompanhamento profissional durante os exercícios, especialmente para pessoas com condições pré-existentes.
“O treino precisa respeitar o histórico clínico, a individualidade biológica e o condicionamento de cada pessoa. O profissional qualificado consegue controlar intensidade, volume, recuperação e progressão para que o exercício seja seguro e eficiente”, ressalta.
Jauan destaca ainda que os benefícios vão além do controle da pressão arterial. O fortalecimento muscular auxilia na melhora da circulação sanguínea, da variabilidade da frequência cardíaca, da sensibilidade à insulina e do metabolismo, fatores diretamente ligados à saúde cardiovascular.
“Quando a pessoa hipertensa começa a treinar corretamente, ela melhora não apenas os números da pressão, mas a funcionalidade do corpo inteiro. Existe mais disposição, melhora do sono, redução do estresse e mais independência para atividades do dia a dia. É uma mudança completa de qualidade de vida”, completa.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, a hipertensão afeta cerca de 30% da população brasileira adulta, isto é, mais de 50 milhões de pessoas, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, responsáveis pela maior causa de mortes no país.
O diagnóstico precoce, aliado a hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, controle do estresse e prática regular de atividade física, segue como principal estratégia para prevenir complicações.
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