Geral
Visita de Trump à China indica mudança no equilíbrio global de poder
Especialistas avaliam que encontro entre Trump e Xi Jinping evidencia multipolaridade e fragilidade dos EUA diante do avanço chinês
A viagem do presidente Donald Trump a Pequim para se encontrar com seu homólogo chinês, Xi Jinping, pode ser interpretada como um sinal de que o cenário mundial não é mais unipolar, mas multipolar. Analistas ouvidos pela Sputnik apontam que Washington aparentemente aprendeu que precisa coexistir com outra grande potência.
"A visita de Trump à China demonstra que os EUA não são mais a principal potência mundial. E é evidente que nenhum dos dois aceitará plenamente os termos do outro", afirma Carlos Manuel López Alvarado, professor de Relações Internacionais da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).
Em um contexto de interdependência econômica e comercial global, segundo o especialista, os EUA compreenderam que a negociação é vital diante de uma "competição estrutural" em que Pequim tem muito a ganhar. López Alvarado destaca que Trump apresentou a Xi "interesses estratégicos dos EUA, como os minerais de terras raras que a China detém e seus avanços tecnológicos e militares".
"Os EUA buscaram em Pequim uma saída digna para práticas comerciais e políticas iniciadas pelo próprio governo Trump com o objetivo de tentar inclinar a balança a favor dos EUA", acrescenta o professor.
Trump chegou a Pequim com os EUA em posição de fraqueza
A tentativa de Washington de sufocar economicamente a China por meio de tarifas agressivas não surtiu efeito. Por isso, Trump reuniu-se com Xi Jinping em uma posição de menor força, avalia o analista internacional Tadeo Casteglione, em entrevista à Sputnik.
"Os EUA chegaram a Pequim em um estado de desgaste e fraqueza após não alcançarem seus objetivos em um ano e meio de governo Trump", afirma Casteglione. A China, por sua vez, recebeu Trump em uma "posição forte", tendo superado conjunturas geopolíticas e neutralizado ataques comerciais dos EUA.
"Na reunião em Pequim, observamos uma mudança radical no discurso de Donald Trump. Agora ele não se apresentou como o 'mau policial', mas como o 'bom policial', buscando seduzir a China com investimentos e cooperação. Isso demonstra o desespero da Casa Branca para tentar impor suas condições", analisa Casteglione.
Segundo o especialista, "Washington já não está em posição de impor condições à China" e terá de "administrar suas relações com Taiwan" para não ultrapassar uma linha vermelha definida por Pequim.
Por Sputnik Brasil
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