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'O impacto da IA não é demissão, é o desaparecimento dos cargos de entrada', diz pesquisadora

15/05/2026
'O impacto da IA não é demissão, é o desaparecimento dos cargos de entrada', diz pesquisadora
Michelle Schneider - Foto: Reprodução / Instagram

Os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho não devem ser medidos apenas pelas demissões anunciadas pelas empresas, afirma Michelle Schneider, pesquisadora que investiga a IA no futuro das profissões. O principal efeito da tecnologia é não desaparecer gradualmente de funções para quem está chegando ao mercado. “O impacto da IA ​​não é demissão, mas o desaparecimento das cargas de entrada”, afirmou durante o painel no último dia do São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap.

Durante a palestra, Schneider citou dados que apontam 55 mil missões associadas à IA. No entanto, ela diz que o número representa um percentual pequeno. As empresas continuam desenvolvendo o mesmo trabalho com equipes mais enxutas e reforçadas por ferramentas de IA. “Quando anunciam cortes por causa da IA, isso também gera impacto positivo nas ações”, contextualizou.

Mas quando a inserção da IA ​​passa para as cargas de entrada a história muda um pouco. A pesquisadora destacou que as contratações para posições iniciais caíram entre 20% e 30% desde 2022. Ao mesmo tempo, empresas como a IBM seguem investindo em trainees para formar lideranças capazes de gerenciar agentes de IA e desenvolver pensamento crítico, segundo Schneider.

"Quando falo de empregos expostos a IA, não estou dizendo que vão deixar de existir. Estou falando de empregos que vão se transformar. O maior ganho não vem da automatização, vem da ampliação. Começamos a fazer algo que antes era inimaginável sem a inteligência artificial", afirmou.

Michelle também citou o "efeito do radiologista" ao prever que a automação não significa substituições de profissionais. Nos Estados Unidos, o número de radiologistas cresceu 15% desde 2016, apesar das diferenças de que a IA eliminaria a função, disse durante a palestra.

As três mudanças no mundo do trabalho

A pesquisadora afirmou que a inteligência artificial deve mudar a divisão das tarefas no ambiente de trabalho. Em vez de gastar a maior parte do tempo executando atividades operacionais, os profissionais passarão a atuar mais na supervisão dos processos e com o julgamento.

“Hoje a gente dedica 20% do tempo esperado e 80% executando. Isso vai mudar”, explicou. A execução tende a ficar cada vez mais automatizada por agentes de IA, já os humanos assumem o papel de importância estratégica estratégica.

"Antigamente dizíamos que as pessoas seriam CEOs de um agente. Agora, elas serão CEOs de vários agentes", disse, ao destacar que o diferencial humano estará na capacidade de tomar decisões.

De especialistas para generalistas criativos: Outra mudança apontada é o novo perfil profissional valorizado pelo mercado. As carreiras lineares e altamente especializadas vão ficar mais obsoletas, disse. A tendência é a valorização de profissionais com repertório amplo e capacidade de transitar entre diferentes áreas.

"O profissional mais valorizado não vai ser o da carreira linear, mas alguém que tem profundidade em vários assuntos. Ele será um generalista criativo empoderado pela IA", estima.

A terceira mudança inclui a relação das pessoas com a vida profissional. Para a pesquisadora, o modelo tradicional de emprego fixo perde espaço para formatos mais flexíveis, um exemplo da gig economy.

Nesse cenário, os profissionais passam a atuar em diferentes projetos, funções e fontes de renda ao mesmo tempo, seja de forma independente ou por meio de plataformas digitais. “A gig economy é uma nova força de trabalho”, resumiu.

"O que você faz hoje, não vai fazer daqui a cinco anos. A automação entra, a IA passa a fazer a tarefa, então a demanda muda", afirma. Ela ainda revelou que a tecnologia reduz a necessidade de funções de coordenação e acelera a formação de estruturas híbridas, com humanos, freelancers e agentes de IA trabalhando juntos. "O que você faz?", provocado ao encerrar a fala.

Semana de Inovação de São Paulo

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.