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'O impacto da IA não é demissão, é o desaparecimento dos cargos de entrada', diz pesquisadora
Os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho não devem ser medidos apenas pelas demissões anunciadas pelas empresas, afirma Michelle Schneider, pesquisadora que investiga a IA no futuro das profissões. O principal efeito da tecnologia é não desaparecer gradualmente de funções para quem está chegando ao mercado. “O impacto da IA não é demissão, mas o desaparecimento das cargas de entrada”, afirmou durante o painel no último dia do São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap.
Durante a palestra, Schneider citou dados que apontam 55 mil missões associadas à IA. No entanto, ela diz que o número representa um percentual pequeno. As empresas continuam desenvolvendo o mesmo trabalho com equipes mais enxutas e reforçadas por ferramentas de IA. “Quando anunciam cortes por causa da IA, isso também gera impacto positivo nas ações”, contextualizou.
Mas quando a inserção da IA passa para as cargas de entrada a história muda um pouco. A pesquisadora destacou que as contratações para posições iniciais caíram entre 20% e 30% desde 2022. Ao mesmo tempo, empresas como a IBM seguem investindo em trainees para formar lideranças capazes de gerenciar agentes de IA e desenvolver pensamento crítico, segundo Schneider.
"Quando falo de empregos expostos a IA, não estou dizendo que vão deixar de existir. Estou falando de empregos que vão se transformar. O maior ganho não vem da automatização, vem da ampliação. Começamos a fazer algo que antes era inimaginável sem a inteligência artificial", afirmou.
Michelle também citou o "efeito do radiologista" ao prever que a automação não significa substituições de profissionais. Nos Estados Unidos, o número de radiologistas cresceu 15% desde 2016, apesar das diferenças de que a IA eliminaria a função, disse durante a palestra.
As três mudanças no mundo do trabalho
A pesquisadora afirmou que a inteligência artificial deve mudar a divisão das tarefas no ambiente de trabalho. Em vez de gastar a maior parte do tempo executando atividades operacionais, os profissionais passarão a atuar mais na supervisão dos processos e com o julgamento.
“Hoje a gente dedica 20% do tempo esperado e 80% executando. Isso vai mudar”, explicou. A execução tende a ficar cada vez mais automatizada por agentes de IA, já os humanos assumem o papel de importância estratégica estratégica.
"Antigamente dizíamos que as pessoas seriam CEOs de um agente. Agora, elas serão CEOs de vários agentes", disse, ao destacar que o diferencial humano estará na capacidade de tomar decisões.
De especialistas para generalistas criativos: Outra mudança apontada é o novo perfil profissional valorizado pelo mercado. As carreiras lineares e altamente especializadas vão ficar mais obsoletas, disse. A tendência é a valorização de profissionais com repertório amplo e capacidade de transitar entre diferentes áreas.
"O profissional mais valorizado não vai ser o da carreira linear, mas alguém que tem profundidade em vários assuntos. Ele será um generalista criativo empoderado pela IA", estima.
A terceira mudança inclui a relação das pessoas com a vida profissional. Para a pesquisadora, o modelo tradicional de emprego fixo perde espaço para formatos mais flexíveis, um exemplo da gig economy.
Nesse cenário, os profissionais passam a atuar em diferentes projetos, funções e fontes de renda ao mesmo tempo, seja de forma independente ou por meio de plataformas digitais. “A gig economy é uma nova força de trabalho”, resumiu.
"O que você faz hoje, não vai fazer daqui a cinco anos. A automação entra, a IA passa a fazer a tarefa, então a demanda muda", afirma. Ela ainda revelou que a tecnologia reduz a necessidade de funções de coordenação e acelera a formação de estruturas híbridas, com humanos, freelancers e agentes de IA trabalhando juntos. "O que você faz?", provocado ao encerrar a fala.
Semana de Inovação de São Paulo
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.
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