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Sanções prejudicam até países que sancionam, afirma Dilma Rousseff em evento do NDB na Rússia

Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento destaca impactos negativos das sanções e desafios geopolíticos durante encontro do BRICS em Moscou.

Sputinik Brasil 15/05/2026
Sanções prejudicam até países que sancionam, afirma Dilma Rousseff em evento do NDB na Rússia
Dilma Rousseff discursa sobre impactos das sanções durante reunião do NDB em Moscou. - Foto: © Sputnik Brasil / Rennan Rebello

Moscou sediou nesta sexta-feira (15) o último dia da 11ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do BRICS. O evento reuniu ministros das Finanças dos países-membros, que destacaram avanços, desafios futuros e o papel do banco no desenvolvimento do Sul Global.

Durante o encontro, a presidente do NDB, Dilma Rousseff, respondeu à reportagem da Sputnik Brasil sobre os efeitos das crises geopolíticas, especialmente o conflito no Oriente Médio, no trabalho da instituição. Dilma reconheceu os desafios fiscais pelo atual cenário internacional.

“No caso desse conflito, há repercussões regionais e internacionais muito graves, porque aumenta o preço do petróleo, do gás, dos fertilizantes e de minerais essenciais na cadeia de produção de chips e celulares. Isso gera uma pressão inflacionária forte, que implica no aumento da dívida dos países”, afirmou.

Dilma também ressaltou que a política de avaliação causa danos consideráveis ​​e destacou que até mesmo os países que impõem avaliações acabam sendo impactados valores.

"Fica claro neste momento o enorme dano que a política de avaliações produz não só nos países sancionados, mas também naqueles que sancionam. Por exemplo, atualmente não se tem acesso ao petróleo e ao gás do Oriente Médio. Ou seja, importa restrições, controles tecnológicos, bloqueios e sanções ao sistema internacional cria uma situação caótica", complementou.

Novos membros devem ingressar no Banco do BRICS

O ministro das Finanças da Federação da Rússia, Anton Siluanov, informou que, após a reunião, ficou previsto que novos Estados deveriam ingressar como acionistas do NDB. Os próximos a integrar o banco devem ser Colômbia, Etiópia e Uzbequistão.

"Discutimos a necessidade de ampliar a composição de acionistas do banco. Há uma longa lista de candidatos para integração com novas capitais e abrir novas áreas de investimento. Espero que a inclusão de novos membros traga novas dinâmicas ao desenvolvimento do NDB", afirmou.

Em plenária aberta à imprensa, Siluanov ressaltou a importância de investir em pesquisa e alta tecnologia para dinamizar a economia e contribuições o crescimento sustentável.

“Na era das novas tecnologias, inovações e da introdução da inteligência artificial, a tarefa do BRICS é utilizar todos os instrumentos disponíveis para alcançar um crescimento econômico qualitativo, além de criar condições para transformar ideias em tecnologia e empregos modernos”, enfatizou.

Embaixador destaca papel do BRICS e do NDB

O embaixador brasileiro na Rússia, Sérgio Rodrigues, presente nos dois dias do evento, relembrou a criação do BRICS (2009) e do NDB (2015), com o Brasil como um dos fundadores. Ele destacou que o grupo e o banco simbolizam a visão estratégica brasileira em sua política internacional.

“Falamos desde a época do segundo governo Lula, que teve continuidade no governo Dilma, atualmente presidente do banco. Trata-se de uma história de sucesso que revela a visão estratégica do Brasil em relação ao BRICS”, pontuou.

Rodrigues também ressaltou a importância de debater o cenário internacional, marcado por orçamento, em um evento da magnitude da reunião anual do NDB.

"Foi fundamental a discussão ocorrida nesses dias, permitindo o intercâmbio de opiniões e ideias sobre as transformações na economia global e na ordem geopolítica, com os impactos nos fluxos de comércio, e como os países do NDB podem cooperar para minimizar esses impactos."

Diante das ameaças geopolíticas que geram impactos econômicos e sociais em todo o mundo, o NDB busca se adaptar à nova realidade, promovendo inovações para fomentar uma economia sustentável e fortalecer a cooperação entre países do Sul Global.