Geral
Jornalismo precisa voltar à essência para combater deepfakes e notícias falsas
Especialistas discutem, durante o São Paulo Innovation Week, os desafios do jornalismo diante da proliferação de conteúdos sintéticos e defendem a retomada dos princípios fundamentais da profissão para enfrentar a desinformação.
O jornalismo precisa resgatar sua essência para evitar a disseminação de notícias, imagens e vídeos falsos criados com o auxílio da inteligência artificial — os chamados deepfakes . O tema foi debatido na mesa IA, verdade e confiança: jornalismo, eleições e a crise do conteúdo sintético , realizado nesta sexta-feira (15) durante o São Paulo Innovation Week (SPIW).
Mediada por Byron Mendes, da Agência Metaverso, uma conversa reuniu o diretor de redação do portal G1, Renato Franzini, e a repórter do Estadão, Bruna Arimathea.
Os destacados destacaram que, com o aumento da velocidade de circulação das informações nas redes sociais e demais plataformas, os veículos de comunicação passaram a investir em editorias e agências de verificação. No Estadão, por exemplo, foi criado em 2018 o núcleo Verifica , dedicado ao combate à desinformação.
Renato Franzini alertou para o risco de o pleito deste ano ser marcado pela regulamentação de deepfakes, diferentemente do que ocorreu na eleição de 2022. “Essa eleição passa a ter a possibilidade de ser a eleição do deepfake porque ficou muito barato produzir e a qualidade é muito melhor”, afirmou.
Bruna Arimathea ressaltou a facilidade de se criar desinformação atualmente, citando a produção de imagens sintéticas acessíveis a qualquer pessoa por meio de plataformas de inteligência artificial. Ela lembrou que, antes da popularização da IA, a imagem era praticamente um atestado de veracidade. “Hoje, a gente não pode mais confiar só na imagem”, pontudo.
Para Bruna, o grande desafio do jornalismo contemporâneo é fortalecer os processos de checagem para garantir que uma informação entregue ao público seja realmente confiável. “No fundo, é voltar ao núcleo do jornalismo, antes da tecnologia e das redes sociais.”
Franzini recebeu: "A tecnologia em si não vai ajudar a gente a combater o deepfake. O que vai ajudar é um jornalismo melhor."
Ele apresentou um caso recente: durante uma onda de violência no México, em fevereiro, uma imagem de um avião em chamas no aeroporto chegou à redação do G1. Inicialmente, uma plataforma de detecção de manipulação de imagens indicou que a foto era verdadeira; porém, ao analisar uma parte do arquivo, concluiu-se que havia sido gerado por IA.
O processo de purificação, no entanto, foi além das ferramentas digitais. “A gente foi para o aeroporto e disse que não tinha avião pegando fogo. Checamos com agências de foto e elas também não tinham as imagens. E aí a gente publicou que a foto era falsa.”
Semana de Inovação de São Paulo
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap. O evento, que termina nesta sexta-feira (15), reúne mais de 2 mil palestrantes brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre outras.
Mais lidas
-
1DESCOBERTA ASTRONÔMICA
Astrônomos identificam estrela de hipervelocidade ejetada do centro da Via Láctea
-
2GREVE
PM usa bombas e gás para desocupar reitoria da USP; estudantes prometem ato unificado na segunda (11)
-
3MACEIÓ
Servidores cobram JHC por caso Banco Master e perdas salariais
-
4POLÍTICA
“Se os Garrotes derem mais, eu fecho”: Vídeo vazado expõe Júlio Cezar e a política sem amor; veja vídeo
-
5INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Aeroporto de Penedo está pronto e aguarda autorização para primeiros voos, afirma Paulo Dantas