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'Não queremos Guerra Fria entre EUA e China', afirma Lula em fábrica de fertilizantes na Bahia

Presidente defende autonomia do Brasil em negociações globais e critica dependência de fertilizantes importados

Sputinik Brasil 14/05/2026
'Não queremos Guerra Fria entre EUA e China', afirma Lula em fábrica de fertilizantes na Bahia
Lula discursa na reabertura de fábrica de fertilizantes em Camaçari, destacando autonomia do Brasil. - Foto: © Foto / SEAUD/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (14) do evento que marcou a retomada das operações da fábrica de fertilizantes em Camaçari, na Bahia. Durante o discurso, Lula enfatizou que o Brasil precisa negociar de "igual para igual" no cenário internacional e reforçou que ao país não interessa uma "Guerra Fria" entre Estados Unidos e China.

"Nós não queremos uma Guerra Fria entre EUA e China. Nós não queremos uma segunda Guerra Fria", ressaltou o presidente.

Em seguida, Lula destacou os interesses brasileiros, mencionando o recente encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, ocasião em que abordou a queda nas relações comerciais entre os dois países.

"Até 2008, os Estados Unidos foram o mais importante parceiro comercial do Brasil. A partir de 2008 entrou a China. Hoje a China é o dobro do comércio com os Estados Unidos", afirmou. Segundo Lula, isso se deve ao fato de a China ter investido no Brasil, enquanto os EUA não demonstraram o mesmo interesse.

O presidente também criticou a dependência de fertilizantes importados, ressaltando que o Brasil, grande produtor agrícola, não pode importar cerca de 90% desses insumos. Para ele, o Estado é eficiente na administração de empresas. "Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas. Quando eu não sei governar, eu começo a dizer que é ineficiente. Nada é mais importante para o país do que 'ser dono do próprio nariz', do que a gente ter orgulho", declarou.

Lula também defendeu a importância de negociar em pé de igualdade com outras lideranças, citando conversas com Trump sobre diversos temas, como combate ao crime organizado e terras raras, mas frisou que democracia e soberania são assuntos internos. "Menos democracia e soberania, porque isso é coisa nossa", afirmou, acrescentando que não aceita ser tratado com menor valor.

'É caso de polícia', diz Lula sobre áudios trocados por Vorcaro e Flávio Bolsonaro

Após a visita, Lula concedeu coletiva à imprensa e preferiu não comentar diretamente os áudios de conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, que apontam pedidos de dinheiro do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao dono do liquidado Banco Master.

"Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", afirmou o presidente.

Mais cedo, ainda em Camaçari, durante evento de assinatura da autorização para contratação de 1.930 novas moradias do programa Minha Casa, Minha Vida na Bahia, Lula comentou sobre a disseminação de mentiras no contexto político, fazendo referência indireta ao episódio dos áudios.

"Vocês estão vendo na televisão. A verdade tarda, mas não falha" e "político que mente deveria cair a língua", disse o presidente, sem citar nomes.