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Greve na USP: reitoria cria comissão para retomar diálogo com estudantes
Após ação policial e aumento da mobilização estudantil, universidade busca reabrir negociações sobre permanência e condições acadêmicas.
A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) anunciou nesta quarta-feira (13) a criação de uma comissão de moderação para retomar o diálogo com os estudantes, que estão em greve há cerca de um mês.
Entre as principais demandas, os alunos, que realizaram um ato na Avenida Paulista nesta quarta-feira, reivindicam o aumento do auxílio-permanência para o valor equivalente a um salário mínimo paulista (R$ 1.804).
O anúncio ocorre três dias após uma ação da Polícia Militar, que utilizou cassetetes e gás lacrimogêneo para retirar estudantes do prédio da reitoria, ocupado desde a semana anterior. A USP lamentou o episódio e afirmou que a ação policial não foi comunicada previamente à administração central. A universidade informou ainda que comunicou a Secretaria de Segurança Pública do Estado no início da ocupação, visando garantir a segurança de servidores e funcionários.
Conforme mostrou o Estadão, o reitor Aluísio Segurado vinha descartando novas negociações. Agora, a USP afirma que a Comissão de Moderação e Diálogo Institucional pretende abrir um novo ciclo de interlocução com a representação estudantil.
"Nesta nova etapa, profissionais com experiência em mediação e resolução de conflitos apoiarão a interlocução entre a representação discente e membros da gestão universitária, buscando construir novos caminhos de entendimento e soluções para as demandas apresentadas pelos estudantes", informou a universidade em nota.
Segundo a USP, a primeira reunião da comissão será agendada em breve para dar encaminhamento aos pontos já apresentados. A reportagem segue tentando contato com representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que lidera a greve, mas ainda não obteve retorno.
A mobilização estudantil se intensificou após o fim das negociações entre reitoria e estudantes, sem consenso sobre as reivindicações. Com a retomada do prédio da reitoria, a greve ganhou novos contornos.
Na segunda-feira (11), estudantes do internato da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) aderiram à paralisação, suspendendo atividades práticas e atendimentos no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário (HU).
O HC informou que não houve impactos na assistência aos pacientes. Já o HU comunicou que as atividades seguem normalmente, realizadas pelas equipes profissionais, sem prejuízo ao atendimento da população.
Entre as pautas da Faculdade de Medicina, os estudantes criticam o programa "Experiência HCFMUSP na Prática", que permite a participação de alunos de instituições privadas em atividades do HC mediante pagamento, o que, segundo o movimento, estimula a "mercantilização" da formação médica.
O que reivindicam os estudantes da USP?
Os estudantes estão em greve desde 14 de abril, inicialmente em apoio à paralisação dos servidores, que protestavam contra gratificação concedida apenas a professores. Após conquistas dos servidores, os alunos mantiveram a greve e passaram a focar em suas próprias reivindicações.
A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). A USP anunciou aumento do auxílio de R$ 885 para R$ 912, mas os estudantes pedem equiparação ao salário mínimo paulista (R$ 1.804).
Os grevistas também apontam deficiências em políticas de permanência estudantil e relatam problemas estruturais, como falhas nos restaurantes universitários.
Na semana passada, alunos da Unesp fizeram paralisações pontuais, sem adesão total à greve, enquanto 16 dos 69 cursos da Unicamp pararam. Em todas as instituições, as reivindicações incluem mais investimentos em permanência, ampliação de moradia estudantil e melhoria na alimentação. Na Unesp, estudantes denunciam falta de docentes, sobrecarga de servidores e dificuldades de permanência na universidade.
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