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'Vamos morar na Lua antes de ir a Marte', afirma engenheiro da Nasa

Ivair Gontijo, do Jet Propulsion Laboratory, detalha próximos passos da Nasa e destaca impacto da ciência espacial no cotidiano

13/05/2026
'Vamos morar na Lua antes de ir a Marte', afirma engenheiro da Nasa
Ivair Gontijo - Foto: Reprodução / Instagram

A tecnologia, a ciência e o empreendedorismo foram destacados como pilares essenciais para a nova corrida espacial durante o painel De Zero a Marte: Os Bastidores da Nova Corrida Espacial, realizado no SPIW Talks, na FAAP, durante o São Paulo Innovation Week.

O evento reuniu o engenheiro da Nasa Ivair Gontijo e o astrofísico Marcelo Gleiser em um debate que, nesta quarta-feira (13), levou o público a uma verdadeira viagem pelas crateras de Marte.

Integrante do Jet Propulsion Laboratory (JPL), principal centro da Nasa para missões robóticas espaciais, Gontijo revelou a complexidade dos projetos enviados ao planeta vermelho. "O projeto de um rover leva dez anos desde a aprovação até o pouso em Marte", destacou.

Segundo o engenheiro, a estratégia é utilizar missões tripuladas à Lua como preparação para futuras viagens a Marte. "A ideia é reaprender sobre missões tripuladas e corrigir problemas antes de uma missão para Marte. Vamos passar longos períodos na Lua, morar na Lua antes de ir a Marte", afirmou. Apenas após essa etapa será possível considerar bases permanentes no planeta vizinho.

Gontijo, natural de Minas Gerais, participou diretamente de missões históricas, como as dos veículos Curiosity e Perseverance. Durante o painel, ele exibiu vídeos inéditos da descida do Perseverance em Marte, incluindo registros captados pelo próprio foguete durante a aterrissagem.

O engenheiro relembrou a tensão do momento em que as primeiras imagens chegaram à Terra, em plena pandemia de covid-19, em 2020. "Sabíamos que tinha dado certo, mas ainda não tínhamos visto nada", contou. "Eu era o coordenador quando recebemos as primeiras imagens de Marte."

O painel também evidenciou como a exploração espacial traz impactos diretos para a vida na Terra. Gontijo relacionou as pesquisas espaciais a avanços em áreas como biologia, física e clima. "Todos temos ligação profunda com o universo", ressaltou. "A cor vermelha do sangue vem do ferro sintetizado em estrelas."

Ao lado de Gleiser, vencedor do Prêmio Templeton e professor do Dartmouth College, o debate ganhou contornos filosóficos e científicos. O astrofísico levantou questões sobre os riscos de contaminação nas futuras amostras marcianas que a Nasa pretende trazer para a Terra, um dos maiores desafios da missão Mars Sample Return.

Gontijo explicou que o processo exige protocolos rigorosos de esterilização para evitar interferências de bactérias terrestres.

O engenheiro também detalhou a estratégia da Nasa para futuras missões tripuladas. Antes de Marte, a agência pretende consolidar uma presença humana duradoura na Lua por meio do programa Artemis.

Gontijo projetou que, se os avanços tecnológicos continuarem nas próximas décadas e séculos, a humanidade poderá até ocupar luas geladas de Júpiter e Saturno. "Assim seríamos uma espécie multiplanetária", concluiu.

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na FAAP, entre esta quarta-feira (13) e sexta (15). O evento reúne mais de 2 mil palestrantes brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.