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Estudo aponta que preço do gás natural no Brasil poderia cair de US$ 11,32 para US$ 7 por MMBTU em 2025
Gargalos de infraestrutura e questões regulatórias impedem redução mais significativa nos preços do gás natural, segundo nota técnica do MBC e Pezco Economics.
No ano de 2025, o valor médio do gás natural para a indústria brasileira ficou em US$ 11,32 por milhão de BTUs (MMBTU), unidade internacional usada para medir energia e comercialização do gás natural. De acordo com uma nova nota técnica do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da Pezco Economics, baseada em dados do Observatório do Gás Natural, esse valor poderia cair para cerca de US$ 7 por MMBTU caso houvesse maior eficiência no escoamento e processamento do gás nacional.
O estudo revela ainda que, em 2025, o Brasil produziu em média 179 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, mas apenas 61,92 milhões de m³/dia chegaram efetivamente ao mercado consumidor. Isso significa que o país produz quase três vezes mais gás do que consegue entregar, situação que, segundo o MBC, é um dos principais entraves para a redução do preço do insumo.
Entre as causas apontadas estão os gargalos de escoamento e processamento, além dos altos índices de reinjeção do gás — prática em que o insumo retorna ao reservatório por falta de infraestrutura, dificuldade de aproveitamento comercial ou razões técnicas para ampliar a produção de petróleo. Em 2024, a reinjeção atingiu 58,8% da produção marítima e 29,4% da produção terrestre, conforme os dados apresentados.
O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, afirmou em abril que o nível de reinjeção de gás natural no Brasil está cerca de 30 pontos percentuais acima da média internacional. O Ministério de Minas e Energia (MME) mantém a estratégia de desconcentração do mercado, chamada de gas release, com o objetivo de reduzir preços e ampliar a oferta.
A nota técnica do MBC e da Pezco Economics destaca ainda que as diferenças regulatórias entre os estados já impactam diretamente o nível de concorrência e os preços do gás no país. O Nordeste é apontado como a região mais aberta à competição, com participação da Petrobras em torno de 29%, enquanto Norte, Sul e Sudeste apresentam níveis mais elevados de concentração de mercado.
De acordo com o MBC, estados com regras mais flexíveis para abertura do mercado livre e acesso à infraestrutura tendem a apresentar ambiente mais competitivo e preços menores. Além dos gargalos físicos, a nota ressalta que a abertura do mercado depende ainda da harmonização regulatória entre União e estados, assim como do acesso não discriminatório à infraestrutura.
Outro ponto de atenção é a falta de transparência em contratos e preços do mercado de gás natural. "Muitos contratos ainda são divulgados com cláusulas omitidas, dificultando a comparação de preços e a formação de referências mais claras para consumidores e novos agentes do setor", aponta o levantamento.
A execução da proposta para ampliar a oferta e desconcentrar o mercado de gás (gas release) é de responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem cobrado reiteradamente a agência reguladora sobre o avanço dessas medidas.
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