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Plano de Trump em Gaza trava por recusa do Hamas em se desarmar
Nickolay Mladenov, o principal diplomata responsável pelo cessar-fogo mediado pelos EUA em Gaza, disse nesta quarta-feira, 13, que a trégua depende do desarmamento do grupo terrorista Hamas, um ponto crucial que tem impedido o progresso em outras frentes, incluindo a reconstrução do enclave, em grande parte destruído.
Alto representante do Conselho Internacional para a Paz em Gaza, Mladenov afirmou ainda que o acordo gradual está paralisado porque o Hamas ainda não se desarmou, classificando a situação como "inegociável".
Mediadores internacionais afirmam há muito tempo que o desarmamento é fundamental para o cessar-fogo, com o qual o Hamas concordou, mas nenhum progresso significativo foi feito nesse sentido.
O grupo terrorista palestino tem procurado condicionar qualquer desmilitarização à retirada das tropas israelenses. O exército israelense continua a controlar mais da metade da Faixa de Gaza.
"Acreditamos que a única maneira de garantir que a retirada israelense até o perímetro ocorra é se tivermos todos os elementos do plano sendo implementados em Gaza", disse Mladenov em uma rara coletiva de imprensa em Jerusalém.
Ele afirmou categoricamente que o plano previsto no cessar-fogo teve um início difícil. Também disse que as condições continuam terríveis e miseráveis para os mais de 2 milhões de habitantes de Gaza. Acusou ambos os lados de violarem o cessar-fogo, mas disse que este se manteve em grande parte e impediu o retorno de uma guerra em grande escala.
O desarmamento está entre os elementos mais desafiadores do cessar-fogo. O Hamas, cuja carta de fundação prevê a resistência armada contra Israel, tem se mostrado relutante em abrir mão de seu arsenal, que inclui foguetes, mísseis antitanque e explosivos.
Mladenov não respondeu a perguntas sobre o que o futuro reserva para Gaza na ausência de desarmamento. Ele criticou o Hamas por consolidar o poder em partes de Gaza sob seu controle, afirmando que o grupo esperava "conseguir melhores termos em uma negociação".
Ele também afirmou que poderia vislumbrar um papel para o Hamas na Gaza pós-guerra, caso o grupo se desarme. "Não estamos pedindo que o Hamas desapareça como movimento político", disse Mladenov aos repórteres.
Os líderes israelenses afirmaram que desejam destruir o grupo militante que governa Gaza há duas décadas e orquestrou o ataque a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e fez 251 reféns.
A ofensiva subsequente de Israel matou mais de 72.724 palestinos, incluindo pelo menos 846 desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro passado.
O que previa o plano de Trump
O acordo previa que o Hamas entregaria suas armas, as forças israelenses se retirariam e reconstruiriam extensas áreas destruídas do enclave costeiro após mais de dois anos de guerra.
Em vez disso, nos sete meses que se seguiram ao cessar-fogo, Israel e o Hamas trocaram acusações de violações. Grupos de ajuda humanitária afirmam que Israel não permitiu a entrada da quantidade de ajuda prometida. O Hamas não se desarmou e continua controlando aproximadamente metade da Faixa de Gaza.
O plano de 20 pontos de Trump afirma que toda a "infraestrutura militar, terrorista e ofensiva do Hamas, incluindo túneis e instalações de produção de armas" em Gaza deve ser destruída. Também afirma que as armas devem ser colocadas "permanentemente fora de uso".
Israel e os EUA afirmam que essa linguagem é clara e que o Hamas deve entregar todas as suas armas.
O Hamas tem procurado diferenciar entre armas "pesadas", como foguetes, e armas "leves", como rifles e pistolas, afirmam autoridades e mediadores do Hamas, falando sob condição de anonimato para discutir as negociações.
Desde o cessar-fogo entre os EUA e o Irã, Israel intensificou seus ataques em Gaza nos últimos dias, e muitos palestinos temem que o retorno de mais ataques aéreos e uma guerra em grande escala sejam iminentes.
*Com informações da Associated Press.
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