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A convivência é uma coisa antiga que precisa ser revitalizada, diz Mario Sergio Cortella

Filósofo destaca importância da inclusão tecnológica e defende que inovação também está em fortalecer laços comunitários

12/05/2026
A convivência é uma coisa antiga que precisa ser revitalizada, diz Mario Sergio Cortella
Mario Sergio Cortella - Foto: Reprodução

"Ao mesmo tempo que a tecnologia vem para lidar com questões que já existiam, cria novas questões com que vamos ter de lidar", afirmou o filósofo Mario Sergio Cortella durante a cerimônia de abertura do São Paulo Innovation Week, festival de inovação e tecnologia que reúne mais de 90 mil pessoas entre os dias 13 e 15 de março, na capital paulista.

Cortella alerta que a tecnologia pode ser tanto um encantamento quanto um encilhamento, ou seja, um instrumento de controle. "É uma escolha que vamos ter de fazer", ressalta. "Os latinos usavam um termo do campo do direito, que é Cui Bono. É bom (a tecnologia). É ótimo. Mas é bom para quem?", provoca o filósofo, ressaltando que ainda não há clareza total sobre esse cenário.

Segundo ele, a tecnologia precisa ser inclusiva em sua totalidade. "Pode favorecer a qualidade da existência, mas há necessidade de extinguir a qualidade como privilégio. Qualidade é quando você estende para a comunidade os benefícios de alguma coisa. Privilégio é quando só uma parcela da população se apropria desses benefícios", explica.

Adaptação e mercado de trabalho

Cortella também reflete sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, destacando a necessidade de uma análise econômica e social. "Talvez tenhamos de nos adaptar como aconteceu com o acendedor de lampiões. Temos de construir outros modos", compara.

"O que a gente não pode é excluir essa tecnologia inclusiva. Quem ficar de fora do mercado por conta da modificação terá que ser trazido para dentro de algum modo, porque do contrário é cruel", enfatiza.

Convivência e inovação

O São Paulo Innovation Week conta com 15 trilhas temáticas, 150 expositores, 33 palcos e mais de 1,5 mil palestrantes, incluindo nomes como o cineasta Spike Jonze, o psicólogo Daniel Goleman, o jornalista russo Dmitry Muratov (vencedor do Nobel da Paz em 2021), o astrofísico brasileiro Marcelo Gleiser e executivos de grandes empresas nacionais e internacionais.

Para Cortella, o evento é uma oportunidade de aprendizado coletivo. "Juntar pessoas para fazer o bem é bom", resume. "Inovar não é sempre criar o inédito; muitas vezes é dar vitalidade ao antigo. E a convivência é uma coisa antiga que precisa ser revitalizada. A percepção de harmonia, uma noção comunitária da vida, isso tudo é altamente inovador como incremento", conclui.

O SPIW é uma realização do Estadão em parceria com a Base Eventos, tendo como palcos o Pacaembu e a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). O evento reúne empresários, executivos, investidores e pensadores para debater temas como tecnologia, ciência, saúde, educação, agronegócio, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.