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Domo de Ferro para a América custaria US$ 1,2 trilhão, aponta órgão do Congresso dos EUA

Estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso considera 20 anos de operação do sistema, inspirado no modelo israelense

Sputinik Brasil 12/05/2026
Domo de Ferro para a América custaria US$ 1,2 trilhão, aponta órgão do Congresso dos EUA
Estimativa do Congresso dos EUA aponta custo bilionário para sistema 'Domo de Ferro' nacional. - Foto: © AP Photo / Ariel Schalit

O desenvolvimento, implantação e operação de um sistema nacional de defesa antimísseis nos Estados Unidos, denominado 'Domo de Ferro para a América', teria um custo estimado de US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 5,8 trilhões) ao longo de 20 anos, segundo informou nesta terça-feira (12) o Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO, na sigla em inglês).

"O CBO estima que um sistema nacional de defesa antimísseis com capacidades amplamente compatíveis com as previstas na ordem executiva 'Domo de Ferro para a América' custaria cerca de US$ 1,2 trilhão para ser desenvolvido, implantado e operado durante 20 anos", destacou o órgão em comunicado.

O relatório detalha que o sistema seria composto por quatro camadas de interceptação: uma baseada no espaço, duas camadas terrestres de ampla cobertura e uma camada terrestre regional. Essa estrutura permitiria ao sistema interceptar múltiplos mísseis simultaneamente.

Segundo o CBO, cada camada teria autonomia para operar independentemente caso houvesse interrupção na comunicação com o comando nacional de controle.

O órgão também ressaltou que apenas o sistema em si custaria mais de US$ 1 trilhão, incluindo tecnologias espaciais de alerta e rastreamento de mísseis, além de pesquisa e desenvolvimento. O componente mais caro seria a camada espacial de interceptação.

Em janeiro do ano passado, o então presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva determinando a criação de um escudo antimísseis 'Domo de Ferro' para proteger o país de mísseis balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, classificados por ele como "a ameaça mais catastrófica enfrentada pelos Estados Unidos".

Na época, o portal Defense One revelou que o projeto já enfrentava sérias dificuldades técnicas e exigiria um investimento financeiro massivo. Conforme a publicação, a Cúpula de Ferro israelense, que serviu de inspiração para o projeto norte-americano, não foi projetada para as ameaças e proporções necessárias à defesa do território dos EUA.

"Cada bateria da Cúpula de Ferro pode cobrir uma área de cerca de 150 milhas quadradas. Para cobrir o território continental dos EUA seriam necessárias mais de 24.700 dessas baterias. Com um custo de US$ 100 milhões [cerca de R$ 580 milhões] por unidade, o custo total do sistema seria de cerca de US$ 2,47 trilhões [R$ 14,49 trilhões]", estimou na ocasião o analista nuclear Joe Cirincione.