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Empresas reduzem erros e aceleram operações com IA no comércio exterior
Tecnologia substitui tarefas manuais, melhora controle regulatório e muda a forma como importadores e exportadores operam no Brasil
Estudos da McKinsey indicam que a automação de processos pode reduzir custos operacionais em até 30%, especialmente em atividades repetitivas e baseadas em dados, como as que predominam no comércio exterior. No Brasil, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o país movimenta mais de US$240 bilhões por ano em importações, com alto nível de complexidade documental e regulatória.
Esse volume tem acelerado a adoção de inteligência artificial para reduzir erros, automatizar rotinas e reforçar o compliance nas operações internacionais.
Ronaldo Felix, sócio e Diretor de Operações da Saygo Group, com mais de 21 anos de experiência em operações, logística, distribuição, prevenção de perdas e gestão de dados, afirma que a transformação já está em curso dentro das empresas. “O comércio exterior sempre foi intensivo em burocracia e preenchimento manual. A inteligência artificial muda esse jogo ao transformar dados dispersos em decisões estruturadas e auditáveis”, diz.
A mudança começa pela forma como as informações são tratadas ao longo da operação. Documentos como invoices, packing lists e declarações aduaneiras passam a ser integrados automaticamente em sistemas inteligentes, reduzindo erros humanos e retrabalho. “Erro documental não é só um problema operacional, é risco financeiro e regulatório. Quando a IA entra, ela antecipa inconsistências antes que elas virem prejuízo”, afirma.
O impacto é ainda mais relevante no compliance, área pressionada por exigências internacionais cada vez mais rigorosas. A União Europeia, por exemplo, avança com mecanismos como o CBAM, que amplia a necessidade de rastreabilidade e controle de dados nas cadeias produtivas.
Nos Estados Unidos, o reforço de controles aduaneiros e exigências documentais também eleva o nível de fiscalização. “Compliance não pode mais ser corretivo. Ele precisa ser preventivo, e isso só é possível com tecnologia que cruza dados continuamente”, explica.
Esse avanço tecnológico acompanha a necessidade de escala sem aumento proporcional de equipe. Plataformas que centralizam dados logísticos, financeiros e regulatórios permitem decisões mais rápidas e maior previsibilidade. “A empresa deixa de operar no escuro. Ela passa a ter visibilidade da operação inteira, do câmbio ao desembaraço, com alertas e indicadores em tempo real”, diz.
Na prática, a implementação da inteligência artificial no comércio exterior passa por etapas estruturais. O primeiro movimento é organizar a base de dados, garantindo consistência das informações que alimentam os sistemas. Em seguida, a integração entre áreas se torna decisiva, conectando logística, financeiro e compliance em um único fluxo operacional. “Não adianta automatizar uma parte e manter o restante desconectado. O ganho real vem da visão integrada”, afirma.
A escolha de parceiros especializados também influencia diretamente o resultado. Empresas que combinam tecnologia com conhecimento operacional tendem a entregar maior eficiência e menor risco. “Contratar tecnologia sem entendimento técnico pode gerar mais problema do que solução. É fundamental ter apoio de quem conhece a operação na prática”, alerta.
Apesar dos ganhos, a automação exige atenção. A dependência total de sistemas sem supervisão pode ampliar riscos, especialmente em operações mais complexas ou sujeitas a mudanças regulatórias frequentes. Por isso, a recomendação é manter uma camada de análise humana sobre os processos automatizados. “A IA potencializa a operação, mas não substitui a estratégia. O erro é delegar tudo sem critério”, afirma.
Outro desafio está na adaptação das equipes. A introdução de novas tecnologias altera rotinas e exige capacitação contínua. Segundo levantamento da Deloitte, empresas que investem em treinamento para adoção de tecnologias digitais têm maior taxa de sucesso na implementação e capturam mais valor dos sistemas. “A tecnologia só funciona quando as pessoas sabem usar. Treinar o time e ajustar processos internos faz parte da implementação”, diz.
Para Ronaldo, a inteligência artificial deve se consolidar como padrão no comércio exterior nos próximos anos, impulsionada pela pressão por eficiência e pelo aumento das exigências regulatórias. “Quem continuar operando de forma manual vai perder competitividade. O comércio exterior está migrando para um modelo mais inteligente, onde dado e automação são ativos centrais”, conclui.
No curto prazo, empresas que avançarem nessa direção tendem a reduzir custos invisíveis, aumentar a segurança das operações e ampliar a capacidade de crescimento com previsibilidade, em um ambiente mais exigente e orientado por dados.
Sobre Ronaldo Felix
Ronaldo Felix acumula mais de 21 anos em operações, passando por cargos de liderança como Ambev, Flora e IS Entrega, atuando em grandes projetos de logística, prevenção de perdas, distribuição e dados. Atualmente é sócio e Diretor de Operações na Saygo Group.
Sobre a Saygo
A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.
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