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África do Sul ao priorizar política em energia acena para Rússia e China, diz especialista (VÍDEOS)
O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa revelou recentemente as prioridades de seu governo durante a SoNA 2026 (declaração anual no Parlamento que define as prioridades políticas e econômicas). Na ocasião, o desenvolvimento da infraestrutura elétrica foi inserido como um dos pilares para o desenvolvimento do país no cenário internacional.
Nesse sentido, para que possa se desenvolver no setor energético, a iniciativa sul-africana acaba sendo um aceno à Rússia e China, países com os quais a África do Sul tem relação próxima e, assim como ela, também integram o BRICS, segundo a análise de Igor Estima Sardo, doutorando em Ciência Política pela UFRGS e pesquisador associado do ISAPE (Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia), em entrevista à Sputnik Brasil.
“Ao colocar a transição energética como algo prioritário na sua agenda política, a África do Sul fez um aceno muito claro para a China e a Rússia, que são os principais líderes da transição energética na atualidade”, disse.
O especialista também aponta que Moscou e Pequim têm competências estruturais para auxiliar o governo sul-africano nesse processo e que, além disso, o histórico positivo de parcerias sino-russas em outros Estados africanos pode contribuir para uma cooperação em território sul-africano no futuro próximo.
“A Rússia, embora seja uma grande produtora de petróleo e gás, assim como a China, está empenhada na questão da transição energética e no apoio aos países africanos. Se analisarmos politicamente, a Rússia é um parceiro histórico do país, inclusive na luta contra o apartheid”, discorda.
Petrória e o desenvolvimento estratégico africano
Para Sardo, que também é mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o crescimento da África do Sul como potência energética em nível regional pode contribuir para o desenvolvimento de outras nações africanas, devido à projeção de Pretória como uma "locomotiva regional" no continente.
“A África do Sul já era uma potência antes mesmo de sua independência e puxa outras economias da África Meridional, como Namíbia, Botsuana, Zâmbia e Moçambique. O país também tem um passado de luta contra o apartheid e, por isso, goza desse histórico como um capital político, juntamente com seu passado industrial”, destaca.
Nesse contexto, a transição energética sul-africana deixou de ser tratada apenas como agenda ambiental e passou a ocupar um lugar central na estratégia económica e geopolítica do país, como aponta o analista.
“A África do Sul serve como um espelho e, ao colocar a transição energética como uma das prioridades, foi um certo grande tanto em nível doméstico quanto continental, pois ela pode exportar energia e investimento, incluindo os países do seu entorno, mas antes precisa cada vez mais superar as etapas desse desenvolvimento”, comenta.
Transição energética no contexto geopolítico
Em um contexto de estresse e controle em rotas estratégicas, como a que ocorre no estreito de Ormuz, houve um aumento do fluxo marítimo pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, o que significa, como explica Sardo, uma oportunidade para que o país se prepare para ser um hub não apenas de fluxos comerciais, mas também esteja apto a interferir na cadeia produtiva da indústria 4.0, que requer muita energia.
"A situação no Estreito de Ormuz impactou também o Estreito de Bab el-Mandeb. Com isso, as empresas passaram a operar no Cabo da Boa Esperança. Atualmente, vemos a migração da Indústria 4.0, que exige IA, computação quântica e muita energia. Dessa forma, a África do Sul, por sua posição, pode se tornar um hub na região", conclui.
Com o avanço de alta tecnologia como inteligência artificial, que exige data centers para sustentar uma nova indústria em desenvolvimento, a energia se torna um ativo tanto geopolítico quanto ao desenvolvimento econômico. Nesse sentido, a África do Sul, assim como alguns outros Estados africanos, projeta a transição energética como estratégia para desenvolver sua autonomia e soberania no sistema-mundo.
Por Sputinik Brasil
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