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Colapso do transporte no Oriente Médio impulsiona papel da Rota Marítima do Norte, opina especialista

Crise no estreito de Ormuz e riscos no canal de Suez ampliam relevância da rota ártica para exportação de hidrocarbonetos

22/04/2026
Colapso do transporte no Oriente Médio impulsiona papel da Rota Marítima do Norte, opina especialista
Rota Marítima do Norte ganha destaque como alternativa segura diante da crise no Oriente Médio. - Foto: © Foto / Sovcomflot

A instabilidade no limite de Ormuz pode contribuir para o desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, oferecendo uma alternativa mais segura para o transporte de hidrocarbonetos para mercados globais, avalia o doutor em Economia russo Aleksei Fadeev, em entrevista à Sputnik.

Segundo o professor Fadeev, a importância estratégica da Rota Marítima do Norte cresce diante do atual conflito no Oriente Médio, que pode servir de ocorrência para o fortalecimento das rotas marítimas do Norte.

O especialista ressalta que a demanda por hidrocarbonetos aumentou consideravelmente em função da instabilidade na região.

"Os hidrocarbonetos russos, incluindo 90% do gás produzido no país, têm origem majoritariamente no Ártico. Atualmente, a Rota Marítima do Norte está se consolidando não apenas como via de exportação de hidrocarbonetos russos, mas também como corredor para o fornecimento de substâncias-primas aos mercados, especialmente para a região Ásia-Pacífico, que já apresenta crescimento antes do conflito no Oriente Médio", afirma Fadeev.

Fadeev alerta ainda que, caso o estreito de Bab al-Mandeb seja impactado pelo conflito — via estratégica que, junto ao canal de Suez, conecta o mar Mediterrâneo ao oceano Índico —, o comércio mundial poderá sofrer um colapso.

"Atualmente, entre 25% e 30% do comércio global passa pelo canal de Suez. Nesse cenário, a Rota Marítima do Norte ganhará uma relevância inédita", explica o especialista.

Ele destaca que a principal vantagem dessa rota é a ausência da maioria das ameaças presentes em outras rotas, como a que contorna a África. Além de ser mais curto, a Rota Marítima do Norte apresenta menor risco de ataques piratas, custos de seguro mais baixos e conta com a garantia de segurança fornecida pela Rússia.

A Rota Marítima do Norte é a principal via de comunicação marítima do Ártico Russo, estendendo-se por 5.600 km ao longo da costa norte da Rússia, atravessando mares do oceano Ártico e conectando portos europeus e do Extremo Oriente Russo, além dos estuários dos principais rios navegáveis ​​da Sibéria, formando um sistema integrado de transporte.

Recentemente, o diretor do Departamento de Assuntos Europeus do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Vladislav Maslennikov, reiterou que o país está aberto a cooperar com todas as nações interessadas no uso da Rota Marítima do Norte, inclusive com os Estados do Ártico Ocidental.

Por Sputnik Brasil