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Após ameaças, Irã e EUA se preparam para nova negociação no Paquistão

Delegações dos dois países devem se reunir em Islamabad em meio a incertezas e aumento da tensão no Estreito de Ormuz.

21/04/2026
Após ameaças, Irã e EUA se preparam para nova negociação no Paquistão
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Apesar das recentes ameaças e sinais contraditórios, Estados Unidos e Irã indicaram nesta segunda-feira, 20, que enviarão delegações para retomar as negociações no Paquistão. O vice-presidente americano, J.D. Vance, deve chegar nesta terça-feira, 21, a Islamabad, conforme informou a Casa Branca. Autoridades iranianas também confirmaram a presença de Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento, na capital paquistanesa.

Incertezas marcam nova rodada

A próxima rodada de conversas, no entanto, permanece envolta em incertezas. No domingo, ambos os países trocaram ameaças. Donald Trump afirmou que a trégua em vigor só permanece até a noite desta quarta-feira, 22 (horário de Washington), e considerou "altamente improvável" uma prorrogação caso não haja acordo.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que a continuidade da guerra "não beneficia ninguém". Em seguida, porém, publicou mensagem ressaltando a "profunda desconfiança histórica" que paira sobre as negociações em Islamabad.

Discurso público e privado divergem

Em conversas reservadas, autoridades iranianas se dizem dispostas a retomar o diálogo no Paquistão, mas, publicamente, adotam tom mais cauteloso. Ontem, o porta-voz da chancelaria, Esmail Baghaei, evitou confirmar a participação do Irã nas negociações. Indagado sobre a intenção dos EUA de enviar diplomatas a Islamabad, limitou-se a dizer: "Isso é problema deles".

Contradições e sinais trocados

As declarações contraditórias repetem o padrão observado antes da primeira rodada, que terminou sem acordo. No fim de semana, autoridades iranianas chegaram a levantar dúvidas sobre a realização de um novo encontro. Ainda assim, segundo a emissora Al-Jazeera, que cita fontes do governo paquistanês, representantes iranianos chegam hoje ao Paquistão.

Trégua sob pressão no Estreito de Ormuz

A trégua de duas semanas, iniciada em 8 de junho, tem sido constantemente testada no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás, cuja passagem o Irã tenta controlar. O bloqueio da navegação elevou os preços dos combustíveis, levando os EUA a fechar portos iranianos em uma tentativa de restringir a principal fonte de receita do regime de Teerã.

No domingo, 19, um destróier da Marinha americana disparou contra um cargueiro iraniano após tentativa de furar o bloqueio. O navio foi apreendido. As Forças Armadas do Irã classificaram a ação como "pirataria" e prometeram retaliação. Segundo a Marinha dos EUA, desde o início do bloqueio no Estreito de Ormuz, há uma semana, foram impedidas a entrada ou saída de 27 embarcações em portos iranianos.

Preparativos e segurança reforçada

Autoridades paquistanesas informaram ontem que estão prontas para a segunda rodada de negociações, prevista para começar amanhã. O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, afirmou que "medidas de segurança foram tomadas", incluindo a mobilização de 20 mil policiais e militares em Islamabad.

A segurança é uma das maiores preocupações dos iranianos, já que diversos funcionários foram mortos em ataques americanos e israelenses no Irã. O Hotel Serena, local da primeira rodada de negociações, foi completamente esvaziado para receber o novo encontro. (Com agências internacionais)