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Dólar fecha em leve queda, a R$ 4,9742, menor valor em dois anos
Moeda norte-americana registra menor cotação desde março de 2024, com influência de fatores externos e cenário local
O dólar encerrou esta segunda-feira (20) em leve baixa, cotado a R$ 4,9742, atingindo o menor valor de fechamento em dois anos. O movimento ocorreu em um dia de baixo volume de negócios, devido à emenda de feriado no Brasil, o que resultou em operações dentro de um intervalo restrito.
No cenário internacional, a volta das tensões no Oriente Médio — com o ex-presidente Donald Trump reiterando o bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz — elevou a cautela nos mercados globais. Essa conjuntura contribuiu para a alta superior a 5% no preço do barril de petróleo, negociado a US$ 95, após o Irã retomar restrições sobre Ormuz no fim de semana. Apesar de aumentar a volatilidade, a valorização do petróleo favorece países exportadores da commodity, como o Brasil.
"O estresse relacionado a Ormuz tem gerado volatilidade moderada ao real, diferente de outros momentos. Isso mostra que a moeda brasileira está resiliente diante desses acontecimentos e reforça a tendência positiva", avalia Jonathan Joo Lee, head da mesa de câmbio e internacional da Mirae Asset. Segundo ele, o cenário também beneficia ações de petrolíferas na bolsa brasileira, como Petrobras e Prio.
Durante o pregão, o dólar à vista oscilou entre R$ 4,9711 e R$ 4,9888, fechando em baixa de 0,18%. Este é o menor patamar desde 25 de março de 2024, quando a moeda encerrou a R$ 4,9734. No mês, a moeda acumula desvalorização de 3,95% frente ao real e, no ano, de 9,38%. Às 17h22, o dólar futuro recuava 0,11%, cotado a R$ 4,9845.
Outro fator de suporte ao real é a expectativa de manutenção de um diferencial de juros elevado, já que o ciclo de redução da Selic deve ser mais contido do que o previsto inicialmente. "Esse cenário favorece o real frente ao dólar", comenta Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management.
O boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, apontou piora nas expectativas de inflação. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, superando o teto da meta de inflação. Para 2027, a expectativa avançou para 3,99%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 3,60% e 3,50%, respectivamente.
"As expectativas para 2026 subiram rapidamente e as de 2027 e 2028 já se aproximam de 4%. O choque do petróleo e a desancoragem das expectativas preocupam bastante o Banco Central", observa Mecchi.
Apesar do choque de oferta pressionar a inflação, o real tem mostrado resiliência e valorização frente ao dólar global (DXY) nos últimos 45 dias, segundo avaliação da BGC Liquidez. A projeção é de que, no curto prazo, a taxa de câmbio permaneça estável entre R$ 4,97 e R$ 4,98, com bandas de flutuação entre R$ 4,90 e R$ 5,05.
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