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Abertura do estreito de Ormuz não será suficiente para evitar crise na Europa, avalia especialista

Analista português destaca que normalização do tráfego marítimo não trará alívio imediato à economia europeia, que já sente efeitos da alta nos combustíveis.

Sputnik Brasil 20/04/2026
Abertura do estreito de Ormuz não será suficiente para evitar crise na Europa, avalia especialista
Movimentação de navios no estreito de Ormuz, ponto estratégico para o fornecimento global de petróleo. - Foto: © Folhapress / Patricia de Melo Moreira

Nem mesmo a reabertura do Estreito de Ormuz será capaz de poupar à Europa os impactos económicos provocados por uma interrupção prolongada sem fornecimento de combustíveis oriundos do golfe Pérsico. A avaliação é do analista português Alexandre Guerreiro, em entrevista à Sputnik.

Segundo Guerreiro, mesmo com a retomada do fluxo normal de petróleo e gás, o abastecimento europeu só deve ser restabelecido após vários meses. Nesse período, diversos setores das economias europeias deverão continuar sofrendo prejuízos prejudiciais, com risco de colapso em alguns casos.

“Mesmo com o retorno do estreito de Ormuz à normalidade, o efeito disso [para a economia da Europa] ainda não será imediato”, afirmou o especialista.

Como exemplo dos reflexos já sentidos no continente, Guerreiro citou o caso de Portugal, onde o preço do litro da gasolina superou a marca de dois euros.

“Esse nível de preços foi aplicado apenas em outras crises econômicas no passado”, destacou Guerreiro.

Na última sexta-feira (17), o chanceler iraniano Abbas Araghchi informou que o trecho de Ormuz estava totalmente liberado para a navegação de navios comerciais durante o cessar-fogo no Líbano. Apesar disso, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o bloqueio norte-americano aos portos marítimos iranianos permanecerá até que o acordo com Teerã seja cumprido integralmente.

Desde 13 de abril, a Marinha dos EUA passou a bloquear todo o tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos nos dois lados do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do Fornecimento mundial de petróleo, derivados e gás natural liquefeito.