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Presidente da Colômbia anuncia processo criminal contra presidente do Equador por calúnia

Gustavo Petro reagiu a declarações de Daniel Noboa sobre supostos vínculos com facção criminosa, acirrando crise entre os países.

19/04/2026
Presidente da Colômbia anuncia processo criminal contra presidente do Equador por calúnia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro - Foto: AP Photo/Fernando Vergara

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou neste domingo (19) que moverá uma ação penal contra o presidente do Equador, Daniel Noboa. A decisão ocorre após Noboa acusar Petro de manter vínculos com um chefe de facção criminosa, agravando a crise diplomática e comercial entre os dois países.

Em entrevista à revista colombiana Semana, no sábado (18), Noboa afirmou, sem apresentar provas, que Petro "se reuniu com alguns membros da Revolução Cidadã (movimento de esquerda no Equador) e alguns desses membros têm vínculos com Fito".

Adolfo Macías, conhecido como "Fito", foi o principal líder da organização criminosa equatoriana Los Choneros. Ele foi extraditado no ano passado para os Estados Unidos, acusado de tráfico de drogas e armas.

“Decidi processar criminalmente o presidente Noboa por sua calúnia”, escreveu Petro em sua conta no X, após negar qualquer relação com o líder crime.

O presidente colombiano também afirmou que, durante visita à cidade de Manta, em maio do ano passado, para a posse de Noboa em seu segundo mandato, o próprio presidente equatoriano planejou proteção militar permanente a ele.

A Revolução Cidadã, liderada pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), é atualmente o maior grupo de oposição ao governo de Noboa no Equador.

Petro também acusou a oposição colombiana ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe, apresentada por influência estrangeira, de atuar para desacreditá-lo, mas não apresentou evidências dessas discussões.

A Associated Press informou que buscou o posicionamento da chancelaria e da presidência do Equador, mas não obteve resposta até o momento.

O episódio se soma a uma série de disputas entre Petro e Noboa, que resultaram em uma guerra comercial desde janeiro. Noboa impôs tarifas unilaterais sobre importações colombianas, alegando falta de controle na fronteira, ao que a Colômbia respondeu com medidas equivalentes, incluindo suspensão da venda de energia. As tarifas equatorianas subiram progressivamente de 30% para 50% e, a partir de maio, atingirão 100%.

A tensão política bilateral aumentou ainda mais quando Petro classificou o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, condenado por corrupção, como "preso" e concedeu a ele nacionalidade colombiana. Noboa rejeitou a declaração, nestas-a intervenção à soberania do Equador e convocou o seu embaixador em Bogotá para consultas. A Colômbia adotou medida semelhante em resposta.