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Lula afirma que esquerda virou o sistema e cobra coerência dos partidos

Em evento na Espanha, presidente critica gestão de políticas neoliberais e diz que direita ocupou o papel de antissistema

18/04/2026
Lula afirma que esquerda virou o sistema e cobra coerência dos partidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (18) que a direita assumiu o papel de 'antissistema' na política porque a esquerda se acomodou em vencer eleições e administrar o neoliberalismo, adotando medidas de austeridade e abrindo mão de políticas públicas em nome da governabilidade.

"Nós temos sido os gerentes da mazela do neoliberalismo", declarou Lula durante discurso na Global Progressive Mobilisation (GPM), evento de esquerda realizado em Barcelona, na Espanha. "Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que, agora, o outro lado se apresente como antissistema."

Segundo o presidente, a extrema-direita soube capitalizar o "mau estado das promessas não cumpridas do neoliberalismo" e canalizou as frustrações da população, enquanto governos de esquerda abandonaram seus programas originais.

Lula defendeu que partidos de esquerda precisam praticar a coerência e implementar os programas com os quais foram eleitos. Ele avaliou que grande parte da população, mesmo sem se identificar como progressista, apoia pautas associadas à esquerda.

"Ela quer comer bem, morar bem, escola de qualidade, hospital de qualidade, uma política climática séria e responsável, uma política de meio ambiente muito dura, ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada, um salário que permita uma vida confortável", enumerou.

O presidente brasileiro também defendeu que o papel da esquerda é "apontar o dedo para os verdadeiros culpados" pelas frustrações da população, que seriam os bilionários responsáveis pela maior parte da riqueza mundial, e não a população LGBT+ ou os imigrantes.

"Essa luta precisa ser global, de nada adianta manter a casa em ordem em um mundo em desordem", afirmou. "Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças, gastam em armas bilhões de dólares que poderiam ser usados para acabar com a fome, resolver o problema energético, o problema da saúde."