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Lula critica paralisia da ONU e defende nova governança democrática em fórum internacional
Presidente brasileiro cobra ação das Nações Unidas e destaca necessidade de cooperação multilateral em evento na Espanha.
Lula participou neste sábado (18) da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, evento que reúne líderes de diferentes regiões para debater o fortalecimento das instituições democráticas e os desafios globais à governança.
Criado em 2024 por iniciativa de dirigentes progressistas como Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Sánchez, o fórum busca ampliar a articulação internacional em defesa da democracia diante do avanço de movimentos considerados autoritários.
Durante o encontro, Lula voltou a criticar a inação da ONU diante das crises internacionais.
"Veja, a ONU que teve força para criar o Estado de Israel não tem força, sequer, para manter o Estado palestino. Aliás, ela não tem força para manter as terras demarcadas, que foram demarcadas na própria ONU. Então a democracia que nós precisamos discutir aqui, entre chefes de Estado, é se o mundo vai continuar do jeito que está ou se nós vamos tentar mudar esse mundo", declarou.
A edição deste ano ocorre em um contexto de tensões internacionais, marcado por conflitos armados, especialmente no Oriente Médio, e por disputas políticas entre grandes potências. O cenário reforça a necessidade de cooperação entre governos comprometidos com a estabilidade democrática.
"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum", afirmou Lula ao criticar os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
O presidente brasileiro também condenou conflitos em diversas partes do mundo, ressaltando que "decisões unilaterais, que não respeitam os fóruns" dos quais os envolvidos participam, não contribuem para a democracia. Para Lula, a ONU não pode permanecer silenciosa diante dos acontecimentos globais.
"Trump invadiu o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou Lula, reforçando que o mundo não precisa de guerras enquanto ainda houver pessoas passando fome.
Segundo o presidente, os desafios à democracia também se ampliam pela falta de regulação das redes sociais, que propagam discursos "mentirosos" e, muitas vezes, não são combatidos a tempo para que a verdade prevaleça.
Lula destacou ainda a importância de organismos multilaterais como G20, UNASUL e CELAC, que, apesar de funcionarem, muitas vezes dependem mais das lideranças do que dos Estados. Por isso, defendeu o fortalecimento da ONU e do multilateralismo.
"Estou preocupado com Cuba, muito preocupado com Cuba. Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não é um problema do Lula, da Cláudia [Sheinbaum] e do [Donald] Trump, é um problema do povo cubano. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles. Não é possível que a gente fique quieto diante disso", afirmou.
Na véspera do fórum, Lula participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, voltada ao reforço da parceria bilateral. O encontro começou com uma reunião restrita entre os chefes de governo, seguida de plenária com ministros dos dois países, onde foram debatidas áreas estratégicas de cooperação.
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