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Da energia solar à gestão ambiental: alta nas buscas por certificações ambientais revela avanço do ESG no Brasil

Levantamento da Bulbe Energia revela que o setor corporativo busca por selos de sustentabilidade

Monique Marquesini 17/04/2026
Da energia solar à gestão ambiental: alta nas buscas por certificações ambientais revela avanço do ESG no Brasil
Da energia solar à gestão ambiental: alta nas buscas por certificações ambientais revela avanço do ESG no Brasil - Foto: iStock / Bongkod Worakandecha

As certificações ambientais ganham protagonismo como ferramenta estratégica no mundo dos negócios. Orientadas pelos pilares do ESG (ambiental, social e governança), as práticas de sustentabilidade adicionam um diferencial competitivo às empresas que investem em soluções, como a energia solar, para diminuir os impactos ambientais.

Em 2025, o Brasil atingiu o percentual de 75% de empresas de médio e grande porte com perfil qualificado em práticas sustentáveis, segundo pesquisa divulgada pela Amcham. Diante desse cenário, a Bulbe Energia, fornecedora de energia solar por assinatura, conduziu um estudo de âmbito nacional para analisar os efeitos dos selos ESG no mercado.

O levantamento procurou identificar o padrão de interesse dos usuários no Google Brasil. Para isso, foram selecionadas buscas por termos como LEED, Procel e outros selos correlatos entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Os dados dizem respeito ao volume da média mensal de buscas no Google nos últimos 12 meses. O volume médio de todo o país foi de 123 mil buscas por mês, número que sugere a influência do ESG nas decisões corporativas.

Interesse pelo selo verde

As informações do estudo destacam o protagonismo das principais certificações ambientais ligadas à construção civil. A LEED e a AQUA lideram o ranking de forma isolada e refletem o crescimento sólido do setor em meio a uma economia marcada pela alta dos juros.

A LEED, em específico, se destaca pelo alto valor de mercado e reconhecimento internacional. Utilizado em 143 países, esse selo costuma atrair investidores. Não por acaso, os critérios são rigorosos e a certificação se divide em quatro níveis: LEED certificado, prata, ouro e platina, ranqueados conforme pontuação do projeto.

Os títulos são emitidos por entidades acreditadas pelo INMETRO. Empresas que se dedicam à transição energética e buscam a economia com energia limpa se aproximam das especificações cobradas pelo ESG para a concessão do selo verde. A contrapartida desse esforço retorna em economia, créditos, eficiência e, inclusive, fortalecimento da marca.

As 10 certificações ambientais mais procuradas

Entre os mais de 30 selos atribuíveis no Brasil, 10 apresentaram consistência no volume de buscas dentro do estudo feito pela Bulbe Energia. As certificações válidas para a indústria moveleira, gráfica e a de eletrônicos e eletrodomésticos também ocupam posições de destaque.

Cada título possui exigências, processos de auditoria e regimentos específicos. Por essa razão, vale a pena ressaltar pontos importantes sobre as certificações mais buscadas pelos brasileiros no Google:

- LEED (Leadership in Energy and Environmental Design): exige a redução do impacto ambiental a partir da gestão eficiente dos recursos naturais e inovação, desde o projeto e execução até a operação.

- AQUA (Alta Qualidade Ambiental): assim como o LEED, orienta uma construção sustentável, mas advoga pelo bem-estar operacional com o conforto visual, térmico e acústico dos ocupantes.

- FSC (Conselho de Gestão Florestal, em tradução livre): valida empresas do segmento de recursos florestais e seus derivados que possuem uma política de regeneração natural de árvores, garantia de direitos trabalhistas, dentre outros.

- PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica): serve como critério de compra em licitações públicas e certifica a eficiência de produtos e serviços e de empresas que comprovam sua performance e eficiência energética, como o uso de energia solar, por exemplo.

- SASSMAQ (Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade): selo específico para serviços de transporte e logística de produtos químicos a fim de evitar acidentes. Entre as exigências está o controle rigoroso dos impactos ambientais e auditoria periódica.

- Selo Verde: enquanto reconhecimento de prática sustentável, engloba certificações como a da Procel, FSC e outros.

- IBD (Instituto Biodinâmico): padroniza a produção agrícola e industrial de produtos orgânicos e agroecológicos com a auditoria rígida de manejo responsável e sustentável dos recursos naturais, rotatividade de culturas e uso de defensivos naturais.

- RenovaBio (Programa Nacional de Biocombustíveis): a certificação é uma política pública de incentivo à redução de gases poluentes e produção de biocombustíveis. Quem participa do programa pode gerar créditos de descarbonização, comerciáveis no mercado financeiro.

- IMAFLORA (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola): a instituição certifica empresas que conciliam a sociobiodiversidade em cadeias produtivas agropecuárias.

- SGA (Sistema de Gestão Ambiental): também conhecida como ISO 14001, abrange a construção de uma política de sustentabilidade em diferentes instâncias do setor corporativo.

A manutenção das certificações depende da continuidade das práticas sustentáveis dentro dos negócios.

Como certificações e energia limpa moldam o futuro corporativo

Mais que um diferencial competitivo que atrai novos investidores para o negócio, as certificações facilitam o acesso a créditos verdes e proporcionam outras vantagens. Dentro dos parâmetros do ESG, que prezam pela sustentabilidade nas empresas, espera-se a redução de custos e riscos jurídicos, além de melhorias na eficiência e reputação da marca.

As características das 10 certificações mais pesquisadas indicam interesse de acesso ao selo verde. Nessa trajetória, a eficiência energética e a energia solar aparecem como ferramentas práticas e lucrativas de uma gestão corporativa que visa redução de custos e acesso rápido às certificações ambientais, como as da Procel e SGA, e seus benefícios.

De fato, além de economizar energia elétrica na empresa, essa transição energética contribui para um posicionamento mais alinhado aos critérios do ESG. Iniciativa que valoriza e reforça o diferencial competitivo do negócio.