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'Quando há um retrocesso na democracia, surge um Hitler', diz Lula em encontro com Pedro Sánchez

Presidente brasileiro defende fortalecimento democrático global e alerta para riscos de autoritarismo durante cúpula em Barcelona.

17/04/2026
'Quando há um retrocesso na democracia, surge um Hitler', diz Lula em encontro com Pedro Sánchez
Pedro Sánchez - Foto: Reprodução

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira, 17, que retrocessos nos regimes democráticos favorecem o surgimento de figuras totalitárias, citando Adolf Hitler como exemplo. "O que queremos é discutir como podemos encontrar uma solução para fortalecer o processo democrático em todo o mundo, para que não permitamos um retrocesso. Porque quando há um retrocesso, surge um Hitler", declarou Lula, durante coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona.

Lula participou da primeira Cúpula Espanha-Brasil, evento que reuniu cerca de dez ministros de cada país e resultou na assinatura de diversos acordos bilaterais, abrangendo temas como minerais críticos, combate à violência contra a mulher e cooperação científica.

Pedro Sánchez destacou a importância da aproximação entre os continentes. "Nossos países estão destinados a ser forças motrizes que aproximem ainda mais a União Europeia e a América Latina e o Caribe", disse o primeiro-ministro, durante o encontro realizado no Palácio de Pedralbes. "Enquanto outros reabrem feridas, o que queremos é justamente fechá-las e curá-las, dedicando-nos ao que é importante", completou.

O evento antecede o IV Encontro em Defesa da Democracia, previsto para sábado, também em Barcelona, com a presença de líderes como a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

Esta é a quarta reunião da iniciativa lançada por Lula e Sánchez em 2024, voltada à promoção do multilateralismo e da cooperação internacional.

Sánchez também alertou para ameaças atuais às instituições democráticas. "Hoje, essa paz e os valores que a sustentam estão claramente sob ataque desta onda reacionária, de autoritários, de desinformação – males que ameaçam a força de nossas instituições democráticas", afirmou.

Em paralelo à cúpula, ocorre em Barcelona o Fórum de Mobilização Progressista Global (GPM), que reúne forças de esquerda, movimentos trabalhistas e intelectuais. Sánchez e Lula estão entre os que discursarão na sessão de encerramento do fórum, no sábado.

Venezuela e Maduro

Durante a coletiva, Lula comentou que cabe à presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, decidir sobre a convocação de novas eleições após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Segundo Lula, Delcy está no poder de forma legítima, mesmo que o Brasil não tenha reconhecido o resultado da eleição que a definiu como vice de Maduro. O presidente brasileiro ressaltou a necessidade de respeitar as questões internas da Venezuela e evitou polêmicas sobre a operação que prendeu Maduro em janeiro.

Crise da ONU

Lula voltou a criticar o enfraquecimento da ONU, destacando que o Conselho de Segurança não tem conseguido garantir a paz mundial. "Quando a ONU foi criada, se criou o Conselho de Segurança da ONU para se garantir a paz. (...) Não é o que está acontecendo. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU, as decisões não são cumpridas", declarou.

O presidente também lembrou o papel da ONU na criação do Estado de Israel, logo após a Segunda Guerra Mundial, mas afirmou que a organização não tem conseguido consolidar a autonomia política dos territórios palestinos.

"A sociedade começa a ficar preocupada, porque a democracia chegou ao seu pico maior, criando o estado de bem-estar social de uma parte da população, sobretudo aqui na Europa, e nesses últimos 20 anos, na maioria dos países, a classe trabalhadora vem só retrocedendo", concluiu Lula.