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Advogada é presa em escritório por suposta difamação contra delegado em Pirenópolis; OAB aponta arbitrariedade

A prisão de Áricka Cunha ocorreu dentro de seu local de trabalho após a profissional divulgar o arquivamento de uma denúncia. OAB-GO pediu afastamento e apuração contra o delegado Christian Zilmon.

Redação com agências 17/04/2026
Advogada é presa em escritório por suposta difamação contra delegado em Pirenópolis; OAB aponta arbitrariedade
Advogada é presa em escritório por suposta difamação contra delegado em Pirenópolis; OAB aponta arbitrariedade - Foto: Reprodução do Vídeo

PIRENÓPOLIS – Uma operação policial na última quarta-feira (15/4) em Pirenópolis, no interior de Goiás, terminou com a prisão em flagrante da advogada Áricka Cunha dentro de seu próprio escritório. A detenção, efetuada pelo delegado da Polícia Civil Christian Zilmon Mata dos Santos, baseou-se em uma acusação de difamação proferida pela advogada em suas redes sociais. O caso gerou forte reação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que classificou a ação como "arbitrária".

O Conflito no Escritório

Imagens gravadas no momento da abordagem mostram um clima de alta tensão. Áricka Cunha, ao perceber a voz de prisão, solicitou que o marido e seu secretário filmassem a cena. "Eu estou com um delegado aqui no meu escritório com abuso de autoridade, falando que vai me prender por difamação na minha rede social. Eu não fiz nenhuma difamação contra ele", afirmou a advogada durante a gravação.

O vídeo registra o momento em que os ânimos se exaltam. Enquanto a advogada gritava por "censura" e afirmava que não era criminosa, o delegado Christian Zilmon pedia calma, alegando que ela estaria "descontrolada". Em um dos trechos mais críticos da gravação, ouve-se o relato do secretário da advogada, Elias, informando por telefone a uma colega que Áricka estava sendo algemada e levada para um local isolado.

Motivação e Defesa

Segundo Áricka, o estopim para a ação policial foi a publicação, em seus perfis sociais, da notícia de que uma denúncia feita por ela contra o delegado havia sido arquivada. "Se isso acontece comigo, advogada, dentro do meu espaço de trabalho, imagine com quem não tem voz. Eu não vou me calar", declarou a profissional após ser liberada.

A defesa da advogada sustenta que a prisão configura uma tentativa de intimidação e cerceamento da liberdade de expressão e do exercício profissional.

Reações Oficiais

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás (OAB-GO) agiu prontamente, acompanhando o caso e emitindo uma nota oficial de repúdio. A instituição pediu a "imediata instauração de procedimentos" contra o delegado Christian Zilmon, reforçando que as prerrogativas da advocacia foram violadas ao se efetuar uma prisão por crime de menor potencial ofensivo (difamação) dentro de um escritório de advocacia.

Por outro lado, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) informou que o caso foi encaminhado à Gerência de Correições e Disciplina. Em nota, a corporação afirmou que "está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido", buscando esclarecer se houve excesso na conduta do delegado ou se a prisão em flagrante seguiu os trâmites legais.

Até o fechamento desta edição, o delegado Christian Zilmon não havia se manifestado publicamente sobre as acusações de abuso de autoridade. Áricka Cunha já se encontra em liberdade e afirmou que "as medidas cabíveis estão sendo tomadas" no âmbito jurídico e administrativo.