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Papa critica 'mundo devastado por tiranos' após ataques de Trump

Durante visita a Camarões, pontífice pede paz e condena manipulação da religião em meio a críticas do presidente dos EUA.

16/04/2026
Papa critica 'mundo devastado por tiranos' após ataques de Trump
Papa Leão XIV - Foto: © ANSA/AFP

O papa Leão XIV fez duras críticas a líderes autoritários que, segundo ele, estão devastando o mundo por meio de guerras e exploração. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 16, durante uma pregação em Bamenda, epicentro de um conflito separatista em Camarões, considerado uma das crises mais negligenciadas do planeta. O pontífice pediu uma mudança decisiva de rumo, com o abandono da guerra e da exploração de terras e populações. "O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas é sustentado por uma multidão de irmãos e irmãs solidários", afirmou.

O discurso ocorre após uma nova provocação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feita na madrugada de quarta-feira, 15. De maneira irônica, Trump pediu que Leão XIV fosse informado sobre, segundo ele, "42 mil manifestantes inocentes e desarmados" mortos pelo Irã "nos últimos dois meses".

A troca de farpas entre o republicano e o líder da Igreja Católica começou no último domingo, 12, quando Trump declarou que Prevost deveria "parar de ceder à esquerda radical". O presidente norte-americano também classificou o papa como fraco no combate ao crime e ineficaz em política externa.

Leão XIV viajou até Bamenda, no oeste de Camarões, onde foi recebido por multidões que celebraram sua chegada com buzinas e danças. A presença do papa trouxe visibilidade internacional à violência que aflige a região há quase uma década.

'Mudança decisiva de rumo'

Durante discurso na Catedral de São José, o pontífice elogiou iniciativas de paz e alertou contra o uso da religião para justificar conflitos. Ele condenou a manipulação da fé para fins militares, econômicos ou políticos. "Bem-aventurados os que promovem a paz! Mas ai daqueles que manipulam a religião e o nome de Deus para seus próprios interesses", declarou.

O conflito em Camarões tem raízes históricas no período colonial, quando o território foi dividido entre França e Reino Unido. Em 2017, separatistas das regiões de língua inglesa iniciaram uma rebelião contra o governo central. Desde então, mais de 6 mil pessoas morreram e mais de 600 mil foram deslocadas.

Apesar de uma trégua temporária anunciada por separatistas durante a visita do papa, o conflito permanece sem solução, e as negociações de paz continuam estagnadas.

Com informações da AP