Geral
BC vê cortes na Selic como ajuste, não afrouxamento, afirma diretor
Nilton David destaca que processo de redução dos juros é calibrado para manter condições restritivas, apesar da inflação controlada
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira, 15, que o atual ciclo de cortes na taxa Selic representa um processo de calibração dos juros, e não um afrouxamento monetário. A declaração foi feita durante palestra em seminário promovido pelo JPMorgan, em Washington, durante as reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"E, por calibração, quero dizer que vamos sair desse processo ainda sob condições de aperto monetário. E por que isso aconteceu? Porque o mesmo nível de taxa de juros que estamos enfrentando agora vem acompanhado de uma inflação muito mais baixa e de expectativas de inflação também baixas", explicou Nilton David. Segundo ele, esse cenário reforça a percepção de que a política cumpriu seu papel na economia do País.
O diretor ressaltou que a meta de inflação é de 3%, um objetivo definido por lei e não escolhido pelo Banco Central. Ele acrescentou que, embora não haja uma meta específica para as expectativas de inflação, essas projeções são fundamentais para orientar o trabalho da autoridade monetária.
Durante a apresentação, Nilton também destacou fatores que influenciaram a economia doméstica desde o fim da pandemia, como o aumento da bancarização impulsionado pela criação do Pix.
Ele lembrou ainda que o período da covid-19 levou as famílias brasileiras a um padrão de poupança atípico. Além disso, desde o início de 2023, a necessidade de o governo federal honrar o pagamento de precatórios resultou em uma expansão fiscal expressiva.
Nilton David recordou que o Brasil cresceu acima das previsões do mercado nos últimos cinco anos, o que gerou preocupações sobre a efetividade da política monetária em conter a atividade econômica naquele período.
"Tanto que, na virada de 2024 para 2025, com o dólar fortalecido globalmente, vimos o real se desvalorizar e surgiu a percepção de que poderíamos estar próximos de uma dominância fiscal. O Banco Central, então, reagiu elevando os juros em mais 375 pontos-base, totalizando 450 pontos-base desde o início do ciclo", afirmou o diretor.
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